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Ilustração: Mär Cozta, 2025
Ilustração: Mär Cozta, 2025
Ilustração: Mär Cozta, 2025

Gabriel Filipe Rosa Alves em Projeto Ensaios Estudante de Direito na UFJ. E-mail: gabriel.alves@discente.ufj.edu.br | Publicado em 9 de agosto de 2025

Gabriel Filipe Rosa Alves
Estudante de Direito na UFJ. E-mail: gabriel.alves@discente.ufj.edu.br
09/08/2025 em Projeto Ensaios

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“O Planeta dos Macacos”: uma reflexão foucaultiana sobre poder e sociedade

[Coautor: Jeferson Camargo Taborda1]

Baseado no romance de Pierre Boulle, o filme O Planeta dos Macacos (1968), dirigido por Franklin J. Schaffner e roteirizado por Michael Wilson e Rod Serling, permite uma leitura crítica à luz da filosofia de Michel Foucault, especialmente sobre a temática das relações de poder, do saber científico e dos mecanismos de dominação que moldam a sociedade moderna. Por meio de uma narrativa alegórica e distópica, a obra evidencia a tensão entre o discurso oficial e o saber marginalizado, projetando uma crítica contundente à repressão institucional e à manipulação da verdade.

Inicialmente, Schaffner desenvolve momentos de mistério e tensão com a chegada dos astronautas ao planeta desconhecido, haja vista o imaginário da equipe de serem os únicos naquele lugar. Entretanto, com o passar do tempo, deparam-se com uma inversão de papéis, de um lado, humanos com suas faculdades mentais primitivas, vivendo em harmonia com a natureza. Do outro, primatas dominam os instrumentos de poder, comunicação e repressão. Contudo, nesse encontro, ocorre a captura do protagonista, o sumiço de outro e a morte de um deles.

A captura dos protagonistas por macacos armados revela o início de uma estrutura disciplinar, como a descrita por Foucault (1975), na qual o controle se exerce não apenas pela força, mas pelo saber legitimado. Isso porque os macacos dialogam entre si, preparam armadilhas e desenvolvem até um certo sentimento de prazer na prática de matar e capturar os seres humanos.

Mas é com a introdução da Drª. Zira, psicóloga animal, e de seu esposo, o arqueólogo Cornelius, os quais representam o papel de cientista extraordinário, nas palavras de Schmidt e Santo (2007), que se desafia o paradigma vigente, ao se investigar a racionalidade de Taylor, um humano com potencial intelectual. Em contraste, o Dr. Honorius personifica o cientista normal, que reforma dogmas sob o manto da ciência oficial. A dicotomia entre esses personagens ilustra a tensão entre saberes estabelecidos e saberes insurgentes, frequentemente reprimidos por ameaçarem o status quo.

Outra cena emblemática é quando Taylor empreende uma fuga frustrada da cidade e, após ser capturado novamente, não é alocado em uma cela junto da sua parceira (Nova) e recebe um jato de água pressurizada. Diante dessa situação frustrante, o protagonista afirma que o cárcere era um hospício, pois todos à sua volta estavam loucos. A crítica nessa circunstância, feita pelos roteiristas, está relacionada com a ineficiência das prisões e a falta de ressocialização das pessoas ali presentes. Segundo Foucault, é naquele espaço de cárcere onde o poder se manifesta mais puramente, de forma legitimada.

Adiante, chega-se ao momento da audiência judicial, a qual explicita o entrelaçamento entre ciência, religião e política, denunciando a exclusão jurídica do humano, visto como uma aberração. Tal exclusão, segundo Baratta (2022), é reflexo de um sistema penal seletivo, no qual a norma jurídica opera como instrumento de estigmatização e controle. A repressão à voz de Taylor remete ao conceito de “regimes de verdade” foucaultiano, no qual apenas determinados discursos são autorizados como legítimos.

Outro ponto alto é a destruição das evidências arqueológicas por parte do Dr. Zeius, o que demonstra o uso estratégico da ignorância como mecanismo de dominação. Essa atitude se aproxima da crítica de Foucault (1982) à repressão do saber insurgente: quando a verdade ameaça desestabilizar o sistema, o poder busca silenciá-la. A alegoria da caverna, de Platão (Matos, 2011), ressurge aqui como metáfora dos que preferem a ilusão confortável à dura realidade.

Ao final do filme, a revelação de que o planeta era a própria Terra pós-apocalíptica encerra a narrativa com uma crítica profunda ao comportamento humano autodestrutivo, ambientalmente irresponsável e socialmente opressor. A cena final de Taylor diante da Estátua da Liberdade em ruínas reforça o alerta sobre os riscos de uma civilização que prioriza o poder em detrimento da ética, da ciência crítica e da convivência sustentável.

Nesse sentido, O Planeta dos Macacos se articula como uma poderosa alegoria foucaultiana, revelando os micro e macropoderes que estruturam as instituições, as formas de exclusão e as resistências possíveis. A obra não apenas entretém, mas incita a reflexão sobre os mecanismos que moldam ainda hoje o sujeito e limitam sua liberdade sob o pretexto da ordem e do progresso.

Referências

BARATTA, A. criminologia crítica e crítica do Direito Penal. Rio de Janeiro: Revan, 2022.

FOUCAULT, M. Vigiar e punir. Petrópolis: Vozes, 1975.

FOUCAULT, M. Microfísica do poder. Rio de Janeiro: Graal, 1982.

MATOS, M. R. Platão e a Alegoria da Caverna. Revista Humanidades, n. 8, p. 1-5, 2011.

O PLANETA DOS MACACOS. Direção: Franklin J. Schaffner. Estados Unidos: 20th Century Fox, 1968. 1 filme (112 min).

SCHMIDT, L.; SANTOS, J. Ciência normal e extraordinária: reflexões sobre a produção do saber. Porto Alegre: EDUFRGS, 2007.

[Revisão de Caroline Guedes e Maria Clara de Freitas Barcelos. Revisão final e edição de Rosângela Chaves]

1 Bacharel em Psicologia pela Universidade Católica Dom Bosco (UCDB), mestre em Psicologia da Saúde (UCDB); doutor em Psicologia da Saúde (UCDB); mestre em Antropologia pela UFGD. Professor do curso de Psicologia da UFMS. E-mail: jeferson.taborda@ufms.br.

O artigo é o quarto da oitava edição do Projeto Ensaios, um projeto de divulgação filosófica coordenado pelo professor Weiny César Freitas Pinto, do curso de Filosofia da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), em parceria com o site Ermira Cultura, que visa colocar em diálogo a produção acadêmica com a opinião pública por meio da publicação de ensaios. Até o dia 13 de dezembro, sempre aos sábados, serão publicados em Ermira textos de estudantes, pesquisadores e professores de diversos lugares do país, envolvendo diversas áreas do conhecimento, em diálogo com a filosofia.

  1. Religiões evangélicas, controle social e educação no cárcere , de Karolayne Hanario Rodrigues e Pedro H. C. Silva.
  2. Meandros da antropologia brasileira, de Glícia Aparecida Gomes Souza e Priscila Lini.
  3. Sobre Paul Ricoeur e música ,de Caio Cezar Braga Bressan e Wiliam Teixeira.

Tag's: cinema, Michel Foucault, micropoder, Pierre Boulle, Planeta dos Macacos

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