• Sobre Ermira
  • Colunas
    • Aboios
    • Arlequim
    • Arranca-toco
    • Chapadão
    • Chispas
    • Dedo de prosa
    • Errâncias
    • Especial
    • Espirais
    • Florações
    • Margem
    • Maria faz angu
    • Matutações
    • Miradas
    • Mulherzinhas
    • Projeto Ensaios
    • NoNaDa
    • Pomar
    • Rupestre
    • Tabelinha
    • Terra do sol
    • Veredas
  • Contribua
  • Colunistas
  • Contato
  • Instagram
  • Facebook
  • YouTube
  • Twitter

ERMIRA

  • Instagram
  • Facebook
  • YouTube
  • Twitter
  • Sobre Ermira
  • Colunas
    • Aboios
    • Arlequim
    • Arranca-toco
    • Chapadão
    • Chispas
    • Dedo de prosa
    • Errâncias
    • Especial
    • Espirais
    • Florações
    • Margem
    • Maria faz angu
    • Matutações
    • Miradas
    • Mulherzinhas
    • Projeto Ensaios
    • NoNaDa
    • Pomar
    • Rupestre
    • Tabelinha
    • Terra do sol
    • Veredas
  • Contribua
  • Colunistas
  • Contato
Ilustração: Beare, 2025
Ilustração: Beare, 2025
Ilustração: Beare, 2025

Maria Clara de Freitas Barcelos em Projeto Ensaios Estudante de Letras na UFMG. E-mail: mariabarcelos@ufmg.br | Publicado em 11 de outubro de 2025

Maria Clara de Freitas Barcelos
Estudante de Letras na UFMG. E-mail: mariabarcelos@ufmg.br
11/10/2025 em Projeto Ensaios

  • Compartilhar no Twitter
  • Compartilhar no Facebook
  • Compartilhar no Google +
  • Compartilhar no WhatsApp
← Voltar

Um disfarce para a violência?

[Coautor: Flávio Amorim da Rocha[1]]

A série Adolescência tem feito enorme sucesso recentemente e trouxe à luz do público geral as nuances da “machosfera”. Um universo digital exclusivo, de homens para homens, no qual o público masculino discute novos comportamentos que remodelam e reafirmam a identidade do “homem de verdade”.

Esse espaço virtual abrange algumas subculturas e se caracteriza principalmente pela propagação de discursos que defendem a superioridade masculina e difamam as mulheres, muitas vezes vistas como manipuladoras e narcisistas. Uma das questões recorrentes é a popularização do grupo Red Pill, uma alegoria derivada do filme Matrix, no qual a pílula vermelha representa o despertar para a visão da realidade. Entretanto,

Na versão da machosfera, os homens que consomem a pílula vermelha – ou “são redpillados” –, ou seja, que adotam essa perspectiva, tomariam consciência de uma suposta dominação social exercida pelas mulheres e dos perigos do feminismo na sociedade ocidental. De acordo com esta visão de mundo, os homens seriam os verdadeiros subjugados devido ao seu gênero, pois a sociedade estaria organizada de maneira a beneficiar as mulheres (Santini et al., 2024).

Dessa forma, as redes sociais se tornam um ambiente propício para a popularização da desigualdade de gênero, disfarçada de “desenvolvimento pessoal” e “inteligência emocional”. O Laboratório de Estudos de Internet e Redes Sociais da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) apresenta uma pesquisa aprofundada para analisar e quantificar o conteúdo da “machosfera” no YouTube. O estudo contabilizou 137 canais, somando mais de 3,9 milhões de visualizações, que reproduzem conteúdos misóginos e mais de 80% deles contam com estratégias de monetização. Já podemos imaginar que, além do sucesso, o ramo produz bastante lucro e, ao que tudo indica, tende a crescer cada vez mais.

Entretanto, essa conversa não é tão atual quanto parece. Ano passado, surgiu na rede social TikTok um outro movimento, no qual mulheres gravam vídeos discursando sobre “machismos” com os quais elas concordam e/ou apoiam. Relatos ratificam o gênero – masculino – de quem deve desempenhar atividades como carregar sacolas pesadas, trocar o pneu, a lâmpada, a resistência do chuveiro, dirigir, pagar as contas, entre outras. Apesar de parecerem simples e inofensivos, esses discursos são a porta de entrada para o desenvolvimento de uma mentalidade que aprova a dependência e a submissão das mulheres em relação às figuras masculinas presentes em nossas vidas.

Visto que vivemos em uma sociedade patriarcal, todos os afazeres antes mencionados já são comumente atribuídos aos homens; não há nenhuma surpresa até aqui. O motivo pelo qual os vídeos tiveram tantas visualizações é seu caráter “inovador”, que traz a perspectiva de que as mulheres poderiam tirar proveito de situações semelhantes (como menciona a comunidade RedPill). Isto é, dizer que “o homem sempre paga a conta” ou “ele que deve dirigir para me levar a qualquer lugar” coloca as figuras femininas em posição de pretensa vantagem.

O problema é que esses são discursos perigosos, pelo fato de mascararem dois elementos centrais importantíssimos na discussão sobre desigualdade de gênero: 1) o não reconhecimento da luta das mulheres pela conquista de seus direitos; 2) a relação de dependência ali criada e utilizada para a satisfação do ego masculino.

No Brasil, até a aprovação do Estatuto Civil da Mulher Casada em 1962, as mulheres eram proibidas de exercer profissões, abrir contas bancárias e por lei eram consideradas dependentes dos seus pais ou maridos. Essa situação pôde se reverter a partir da luta feminina e dos movimentos feministas, que trazem para a pauta nacional os direitos das mulheres. Mesmo com um avanço considerável no que tange à legislação, a sociedade insiste em seguir os moldes patriarcais instituídos, ou seja, a luta das mulheres não acabou, seguimos reivindicando, agora principalmente, o respeito.

Afirmações como as anteriormente citadas banalizam o movimento de luta e a conquista desses vários espaços pelas mulheres. Se, atualmente, nós mulheres podemos escolher se dirigimos ou se deixamos a tarefa para os homens, não devemos nos esquecer de que há pouco tempo nem poderíamos pensar em executar as mesmas atividades sem antes pedir permissão para o homem de convívio mais próximo. A dependência que existe entre os gêneros era necessária para a sobrevivência feminina.

Dependência essa completamente enraizada nos preceitos familiares e amorosos, em contextos sociais comuns. Um exemplo clássico é o papel do churrasqueiro, quase sempre performado por figuras masculinas. Quando uma mulher se candidata para a mesma função, na maioria das vezes, é de alguma forma ridicularizada, seja pela suposição de má qualidade de seu trabalho ou pela estranheza de se ver uma figura feminina nesse posto. Então, se não há homem, não há churrasco? De acordo com os vídeos do TikTok, a resposta é não. São suposições como essas que criam espaço para que a submissão feminina continue sendo aprovada “despretensiosamente”.

A internet e as redes atribuem aos fenômenos sociais uma proporção enorme, que serve de incentivo para a repetição de expressões que perpetuam a aceitação da violência de gênero, de forma mascarada (para favorecer os algoritmos). Ao atingir as grandes massas, esse conteúdo é internalizado pela maioria das pessoas, especialmente as crianças e adolescentes, ainda em fase de desenvolvimento e reconhecimento pessoal. Esses jovens muitas vezes veem os influenciadores digitais como grande inspiração, frequentemente imitando suas falas, sendo notório o perigo que isso representa.

Ou seja, precisamos estar atentos ao que consumimos on-line, pois, um vídeo sobre “dicas de relacionamento”, “evolução de pensamento” ou “desenvolvimento emocional” pode passar uma mensagem tendenciosa, ligada à misoginia e à violência contra as mulheres, disfarçada com imagens bonitas, cenários charmosos e discursos persuasivos.

[Revisão de Caroline Guedes. Revisão final e edição de Rosângela Chaves]

Referências

SANTINI, R. Marie et al. Aprenda a evitar ‘esse tipo’ de mulher”: estratégias discursivas e monetização da misoginia no YouTube. Rio de Janeiro: NetLab – Laboratório de Estudos de Internet e Redes Sociais, Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), 2024.


[1] Professor de Língua Portuguesa, Literatura Brasileira e Língua Inglesa do Campus Campo Grande do Instituto Federal de Mato Grosso do Sul. E-mail: flavio.rocha@ifms.edu.br

O artigo é o décimo da oitava edição do Projeto Ensaios, um projeto de divulgação filosófica coordenado pelo professor Weiny César Freitas Pinto, do curso de Filosofia da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), em parceria com o site Ermira Cultura, que visa colocar em diálogo a produção acadêmica com a opinião pública por meio da publicação de ensaios. Até o dia 13 de dezembro, sempre aos sábados, serão publicados em Ermira textos de estudantes, pesquisadores e professores de diversos lugares do país, envolvendo diversas áreas do conhecimento, em diálogo com a filosofia. Confira os outros artigos publicados:

  1. Religiões evangélicas, controle social e educação no cárcere , de Karolayne Hanario Rodrigues e Pedro H. C. Silva.
  2. Meandros da antropologia brasileira, de Glícia Aparecida Gomes Souza e Priscila Lini.
  3. Sobre Paul Ricoeur e música ,de Caio Cezar Braga Bressan e Wiliam Teixeira.
  4. “O Planeta dos Macacos”: uma reflexão foucaultiana sobre poder e sociedade , de Gabriel Filipe Rosa Alves e Jeferson Camargo Taborda.
  5. A extinção da verdade: inteligência artificial e a morte do real , de Kauê Barbosa de Oliveira Lopes e Weiny César Freitas Pinto.
  6. Notas sobre a psicanálise: quais são o potencial e os possíveis impactos de uma análise no sujeito?, de Khadija de Oliveira Moreira e Caroline S. dos Santos Guedes.
  7. Sísifo escolheu a pedra, de Orivaldo Gonçalves de Mendonça Junior e Antônio Carlos do Nascimento Osório.
  8. O medo da história, de Igor Vitorino da Silva e Ricardo Oliveira da Silva.
  9. Dialética como tensão irresolúvel: reafirmando Heráclito, de Rafael Vieira Régis Damasceno e Rafael Lopes Batista.

Tag's: machosfera, redes sociais, violência contra a mulher

  • Rato na gaiola

    por Luís Araujo Pereira em Espirais

  • Do outro lado do rio

    por Rosângela Chaves em Dedo de prosa

  • A sensibilidade autobiográfica de Jheferson Rosa

    por Paulo Manoel Ramos Pereira em Veredas

  • Compartilhar no Twitter
  • Compartilhar no Facebook
  • Compartilhar no Google +
  • Compartilhar no WhatsApp

Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site.

Deixe um comentário (cancelar resposta)

O seu endereço de e-mail não será publicado. Todos os campos são de preenchimento obrigatório.

ERMIRA
  • Instagram
  • Facebook
  • YouTube
  • Twitter