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Foto: cena de Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças (2004)
Foto: cena de Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças (2004)
Foto: cena de Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças (2004)

Marília Fleury em Pomar Designer e curadora | Publicado em 22 de março de 2026

Marília Fleury
Designer e curadora
22/03/2026 em Pomar

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Sim, sintéticos

Pois é, o tempo passa voando rasante e, em alguns eventos,  a gente topa com pessoas que a gente não vê há muitos, muitos anos. Às vezes, ou muitas vezes mesmo, é susto sustenido. Eu uso a desculpa da falta de óculos (não consigo me acostumar mesmo): Desculpa, de noite, sem óculos, não enxergo quase nada./ Não reconheci você com esse cabelo!/ Não reconheci você com esses óculos! Um dia, num apuro, soltei um ilógico Não reconheci você com essa roupa!

Claro que o inverso também acontece. Já percebi que também tem quem não me reconhece de jeito nenhum.  Penso que a solução poderia ser carregar uma plaquinha discreta, com uma foto antiga e os dizeres: Esta sou eu ontem. Ou seria muito chocante?!

Ah, sei lá! Mas o fato é que, passado o estranhamento inicial,  fica tudo fácil,  pois a coletânea de assuntos fica cada vez mais extensa à medida que o tempo passa, chegando rapidamente ao indefectível: O que você está tomando? Aí,  é claro que o seu interlocutor entende num átimo (adoro essa palavra recorde de velocidade!) que você não está se referindo ao conteúdo da taça que ele está segurando. Daí,  logo a gente começa a trocar relatos sobre o estágio atual da relação psiquiatra/paciente/remédio,  desde o início,  passando pelo meio e chegando ao… final? Ah, acho que não tem um final. Nooossa, finalmente uma coisa boa que não tem um final!

Rivotril? Acho que essa onda já passou. Zolpiden? Merecia, com louvor, o título de Passaporte para o Vexame (eu que o diga!). Depakote? O nome é bacana, mas tão controverso quanto a… Luana Piovani, por exemplo; tem gente que se dá bem, tem gente se dá mal.  O natural Valeriana? É,  o nome é  bonito. Com alguns, acho que o segredo é sempre pequenas dosagens. Ou em caso de ansiolíticos mais potentes ou em dosagens mais altas,  ou os dois, siga sua própria prescrição: tomar, deitar e,  importantíssimo,  calar a boca, se não quiser derrapar num desnecessário incontrolável e desastroso oversharing* (e vocês já notaram que as redes sociais vivem um clima permanente de oversharing?).

Então,  Sem limites,  com o Bradley Cooper, escancara o poder das drogas sintéticas, no caso o NTZ. E, sim, ele também acaba com a ansiedade e a depressão ao blindar o Eddie (valoroso, inestimável Bradley!), contra qualquer maldita insegurança,  pois todas as soluções e conhecimentos estão dentro daquela mente milagrosamente expandida e eficiente. E o acesso é veloz. Mal ele questiona, todas as respostas aparecem, também num átimo. E a gentequequasequemorre procurando conexões e soluções,  esgravutando todos os cantinhos recônditos da cabeça? E, muitas e muitas vezes,  se deparando com um NADA resplandecente e absoluto? Efeitos colaterais? Vício? Crise de abstinência? Sim, no filme, o fictício (claro!) NTZ é responsável por tudo isso.  Nada é perfeito mesmo. E já me informaram que o supermedicamento existe mesmo, na nossa real vidinha,  mas eu du-vi-dê-o-dó. Será mesmo possível?

Mas eu? Eu mesma já me contento com o possível.  E o possível já é surpreendente. Depois de décadas decadentíssimas de coração miudinho e respiração curta, comecei a tomar um remédio ótimo,  que trata transtorno de ansiedade generalizada (o famoso TAG), depressão, síndrome de pânico etc etc etc.

Primeiras semanas,  nada. Depois, uma sensação de organização mental, depois uma claridade ofuscante, meio azulada. A imagem que sempre vem é de O Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças. Não que as lembranças não existam, mas elas passam a existir de forma organizada, e as lembranças ruins ficam lá atrás,  no fim da fila, no lugar delas. E quem é que quer andar até o final da fila para ver o que está acontecendo por lá? Mas nem. Aliás,  já repararam que SEMPRE tem briga lá, no final da fila?! Você escuta um zum-zum-zum, espia lá atrás e lá está uma escaramuça, um sururu,  um samba lê lê.

Um amigo, companheiro recente da mesma prescrição médica,  me responde que o Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças é um efeito colateral poético. Tanto melhor. O resto é resto,  restolho, resíduo, migalha, poeira, nem presto atenção. E continuo bem tranquila,  pois noto que o meu cérebro não ficou turbinado como aconteceu com o Eddie que, do nada,  sem nunca ter tomado aulas,  começou até a falar mandarim. Minhas naturebices não são nada radicais, mas bem razoáveis mesmo, e as 10mg são pediatriquinhas, leves, suficientes. Qual o remédio? Não falo não,  que não estou aqui para fazer propaganda. E nem para falar mandarim, aliás.

*Compartilhamento excessivo

Tag's: crônica, literatura, literatura goiana

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