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Ilustração: Adeki, 2025
Ilustração: Adeki, 2025
Ilustração: Adeki, 2025

Igor Vitorino da Silva em Projeto Ensaios Professor e mestre em História pela UFPR. E-mail: igorvitorinoz@gmail.com | Publicado em 27 de setembro de 2025

Igor Vitorino da Silva
Professor e mestre em História pela UFPR. E-mail: igorvitorinoz@gmail.com
27/09/2025 em Projeto Ensaios

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O medo da história

[Coautor: Ricardo Oliveira da Silva[1]]

O medo da história segue com força e vigor, pois justamente é o tempo presente o ponto de partida do ato mnemônico, conjunto de saberes, técnicas e estratégias de evocação do passado e resgate de informações armazenadas acionados individual e coletivamente. Daí a questão fundamental para o historiador e para o cidadão: quais forças constituem o tempo presente? Ou seja, quais são as virtualidades em relação aos mortos e ao passado? Onde mora a vida no presente, ou melhor, o novo?

Dessa forma, o medo da história é o medo da política na medida em que se teme descobrir o que há no tempo presente de novidade, de nova fundação, de novo mundo. Fazer-se acreditar dominado pelo passado ou desvalorizá-lo constituem-se estratégias primordiais para conter a emergência da política, a emergência dos homens e mulheres em sua plenitude, do homem em sua ação.

Isso exige o controle sobre a interpretação do passado e de suas versões capazes de incendiar e infiltrar o tempo presente de dissensão, de divisão, de tomada de posição. Daí o temor pela história que envolve aqueles que procuram apenas reproduzir o poder e garantir sua hegemonia fazendo do tempo presente e do futuro uma mera projeção distorcida de seu próprio passado. Ou seja, a inscrição na vida cotidiana do sentimento pessimista de eternidade do poder e de inutilidade da ação política, a glorificação da impotência humana.

A ideia do eterno retorno das elites e da inviabilidade da transformação faz com que o novo que pulsa e se manifeste bem diante dos olhos de cada sujeito seja negado, esquecido e desvalorizado. Abandonamos a novidade para permanecer com o já dado, pronto e consumado.

Por isso, o medo da história, já que ela (saber, pesquisa ou narrativa) pode, enfim, exorcizar o já dado, o pronto e consumado, evocando dessa forma os seres humanos para se tornarem sujeitos do seu tempo, para se abrigarem no lugar da criação, para serem POIÉSIS, ou seja, para serem fazedores, criadores e elaboradores do novo, da novidade e do inesperado diante do futuro indeterminado.

A história moderna ou pós-moderna é copernicana, ela convoca os seres humanos, ocidentais e ocidentalizados, à descoberta que insistem em esquecer: que o mundo em que habitam é sua criação. Nada há nada fora do humano. O centro desse cosmo é o homem e suas criações e nelas estão os (a)fundamentos…

Isso implica desnaturalizar a vida e, até mesmo, a maneira de compreender a natureza porque aquilo que somos ou criamos não tem a porta da sonhada e desejada universalidade, e sim as contingências governadas pelas indeterminações, imprevisibilidades e pelas incertezas. De fato, a história discursa de um lugar inscrevendo em lugares e tempos os objetos, sujeitos e relações. Ela destrona o “sempre foi assim”, o “vai ser assim” ou “tem que ser assim”.

Como esfinge, a história moderna evoca a busca por respostas para os enigmas existenciais (O que aconteceu? O que deve acontecer na sequência? Por que (isso) aconteceu? Quando e onde (isso) aconteceu?) e, ao mesmo tempo, nos avisa sutilmente que não há nada fora de nós mesmos que a fundamenta e sustenta além das relações de poder que nos fazem e refazem sujeitos, sendo qualquer predição histórica “efeito das relações de poder” uma ficção que negligencia o inesperado na ação humana.

Dessa forma, como assevera Paul Ricoeur, em A memória, a história, o esquecimento, “é preciso lutar contra a tendência a se considerar o passado do ponto de vista do acabado, do imutável, do irretocável”.  É essa luta histórica, convocada pelo filósofo francês, que resume o grande medo da Esquerda e da Direita contemporâneas que buscam recorrentemente embargar a memória e a história.

[Revisão de Caroline Guedes e Maria Clara de Freitas Barcelos. Revisão final e edição de Rosângela Chaves]

Referências

ALBUQUERQUE JR., Durval Muniz de. História: a arte de inventar o passado. Bauru: Edusc, 2007.

BARROS, Manoel. O menino que carregava água na peneira. Exercícios de ser criança. Rio de Janeiro: Salamandra, 1999.

CERTEAU, M. de. A escrita da história. 2.ed. Tradução de Maria de Lourdes Menezes. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 2002.

KOSELLECK, Reinhart. Futuro passado. Contribuição à semântica dos tempos modernos. Tradução de Wilma Patricia Maas e Carlos Almeida Pereira. Rio de Janeiro: Contraponto/Ed. PUC-Rio, 2006.

MIRANDA Robson. A história como “logos do outro”: Michel de Certeau e a operação historiográfica. Temporalidades Revista de História, ISSN 1984- 6150. Edição 29, v. 11, n. 2. 2019.

RICOEUR, Paul. A memória, a história, o esquecimento. Tradução de Alain François et. A. Campinas: Editora da Unicamp, 2007.


[1] Doutor em História pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e professor adjunto de História da Universidade Federal do Mato Grosso do Sul (UFMS), Campus de Nova Andradina. E-mail: ricardorussell@gmail.com

O artigo é o oitavo da oitava edição do Projeto Ensaios, um projeto de divulgação filosófica coordenado pelo professor Weiny César Freitas Pinto, do curso de Filosofia da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), em parceria com o site Ermira Cultura, que visa colocar em diálogo a produção acadêmica com a opinião pública por meio da publicação de ensaios. Até o dia 13 de dezembro, sempre aos sábados, serão publicados em Ermira textos de estudantes, pesquisadores e professores de diversos lugares do país, envolvendo diversas áreas do conhecimento, em diálogo com a filosofia. Confira os outros artigos publicados:

  1. Religiões evangélicas, controle social e educação no cárcere , de Karolayne Hanario Rodrigues e Pedro H. C. Silva.
  2. Meandros da antropologia brasileira, de Glícia Aparecida Gomes Souza e Priscila Lini.
  3. Sobre Paul Ricoeur e música ,de Caio Cezar Braga Bressan e Wiliam Teixeira.
  4. “O Planeta dos Macacos”: uma reflexão foucaultiana sobre poder e sociedade , de Gabriel Filipe Rosa Alves e Jeferson Camargo Taborda.
  5. A extinção da verdade: inteligência artificial e a morte do real , de Kauê Barbosa de Oliveira Lopes e Weiny César Freitas Pinto.
  6. Notas sobre a psicanálise: quais são o potencial e os possíveis impactos de uma análise no sujeito?, de Khadija de Oliveira Moreira e Caroline S. dos Santos Guedes.
  7. Sísifo escolheu a pedra, de Orivaldo Gonçalves de Mendonça Junior e Antônio Carlos do Nascimento Osório.

Tag's: História, memória, Paul Ricouer, política

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