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Foto: Divulgação
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Luís Araujo Pereira em Florações Professor e escritor | Publicado em 30 de julho de 2021

Luís Araujo Pereira
Professor e escritor
30/07/2021 em Florações

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Cinco poemas de Paulo Guicheney

[Curadoria de Luís Araujo Pereira]

Excertos

[1]

os nomes sempre os nomes

descubro a amante do poeta russo

tenho um princípio de afogamento

                                                    coincidir também é cair

                                                
sempre é cair

                                                                     uma

                                                                    parte aberta

                                                                    no corpo


silêncio

sussurra o coro de crianças

…silêncio

                                        sinto dó do gato

                                        afogado no bueiro

                                         ele era preto e fofo

                                        e bem jovem

                                        morreu uma vida lenta

                                        eu era jovem e morto

                                        desde sempre menor

                                        que isso

                                        e rápido

                                        meu pai

                                        era jovem e forte

                                        bruto e branco

                                        ou vermelho

                                        afogado


uma parte nunca parte


todo um tempo de análise

doze ou treze ou setecentos

anos falando


[2]

não sou um bom moço

tenho algo do porco

o espinho da rosa

o câncer da língua

o sonho da dança

o vício do Valium


tenho não sei quantos anos

tenho uma vontade

tenho algo que não sei precisar

que não cabe no corpo

o corpo é pequeno

e


estou em Brasília

que bonita é Brasília

o céu todo


tenho não sei quantos

lembro de meus avós e do mundo amargo


o céu que te esmaga

                              pés de Deus

assim Brasília

assim

         o amor

         o amor

         o amor


tenho

sempre tenho

nunca

um bar bem frequentado gente de família prostitutas travestis

Mengele é a estrela do dia

sou criança e Mengele está no Brasil

destrói corpos e Deus dorme quando porco um quando rosa quando homem

                                                                                             [quando coisa


[3]

uma onde faca


passo horas ao piano

leio

escrevo madrugadas inteiras

me entupo de café

álcool

olho por horas as árvores

atulho a mente com palavras em outras línguas

                                                                amo a moça de pernas longas

mas não consigo nada que seja óbvio

simples

meu carro estragado irá matar-me em breve

minha casa apodrece

os e-mails se acumulam

perco os amigos

perco os sapatos

a poeira e o mofo vestem minhas camisas

                                                          estamos

                                                                       separados


cantamos a trinta e oito vozes


estamos separados

    estamos separados

         estamos separados

             estamos separados

                                        (ad aeternum)


mantra que esmaga

ocupa folhas e folhas de papel

deste papel-carne

triste é ocupar-se com a escrita

quando tudo falha

quando não há nada mais além de

tornar-se vítreo


[4]

fui Lázaro quando criança em um teatrinho no Colégio Santo Agostinho. Lembro pouco

desse dia. O álcool e o ódio e o Valium têm destruído minhas lembranças.

os sonhos renovam tudo

                                   inundam o corpo. Reverberam esse dia criança Lázaro.

havia um lençol branco. Sob. Eu. Um dia quente. Somos um povo do verão os goianos.

eu. Suava esperava Cristo.


correm de mim

jogam pedras pragas

rasgam-me com bisturis

amaldiçoam nome casa.


espero

espero Cristo. Ainda hoje

espero. Que Cristo me


mas não há nada novo na cidade

não há Cristo

não


ontem

ontem

         ontem parte uma vez mais

um amontoado de ontens em decomposição


silêncio

silêncio

sussurra o coro de crianças

sussurra

…silêncio

é o tempo para o fim de um homem e uma mulher

chove

…silêncio…


[5]

trabalhar

honrar o pai o nome

extrair oxigênio do ar

martelar uma escada para o nada

agradecer ao Senhor pela mudez de meu genitor

sintetizar prole

financiar o amanhã

trabalhar

acumular o suficiente para ser congelado esperar pela volta da vida que

nos deixou no momento mesmo que saímos do buraco da mãe


tenho medo

sempre tenho moça medo

de ser defenestrado por esse verbo engraçado chamado

amor


tenho medo da moça que escreve

sempre tenho

medo


após

                             the rain encapsulates all

                             dead elephants

                             dogs

                             the skin above the bones

                              light and

                             underneath your voice

                             breath


meu corpo um barco para os maus espíritos

queimo as saudades

sou um homem

sou vários


onde quando pedra parte

onde longe

uma parte sempre fere

mais que corta


parte gato

parte moça


fere


parte ar

parte fim


sem

fim


parte

Tempo de atirar pedras e dançar, 2021

 

Paulo César Guicheney Nunes nasceu em Goiânia. É compositor, escritor e professor de composição na Escola de Música e Artes Cênicas da Universidade Federal de Goiás (UFG). Sua música já foi executada em diferentes países, como Argentina, Brasil, Canadá, Chile, Espanha, Estados Unidos, Inglaterra, Irlanda, México e Uruguai. Guicheney fez a sua formação musical em Goiânia com o compositor Estércio Marquez Cunha. Fez mestrado em música eletroacústica e, atualmente, cursa o doutorado em ciências musicais na Universidade Nova de Lisboa. Sua peça Anjos são mulheres que escolheram a noite recebeu o Prêmio Funarte na XVII Bienal de Música Contemporânea do Rio de Janeiro. Em outubro de 2020, foi lançado o álbum Mer (Redshift Records), composições suas interpretadas por Luciane Cardassi. Publicou  recentemente o seu primeiro livro de poemas, Tempo de atirar pedras e dançar (martelo casa editorial, Goiânia, 2021).

Tag's: literatura, martelo casa editorial, Paulo Guicheney, poesia, poesia goiana

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