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Foto: Wikipédia/Divulgação
Foto: Wikipédia/Divulgação
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Luís Araujo Pereira em Florações Professor e escritor | Publicado em 13 de novembro de 2022

Luís Araujo Pereira
Professor e escritor
13/11/2022 em Florações

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Cinco poemas de Bruna Beber

[Curadoria de Luís Araujo Pereira]

[1]

dotes

coleciono mas não leio

cartas antigas, anúncios de almanaque

em latas de goiabada nolasco


sei que estou em permanente mudança

porque todos os dias abro e fecho

gavetas e caixas


no entanto aprendi pouco sobre apostas

e temporais, só sei que levam

muito mais do que trazem.

Balés (2009)

• • •

[2]

música do parque

dorotilde

nunca vimos

convulsa


toda vida

de sorriso

no portão


perfume para três

esquinas botava

zonza as alergias


e eu pirraça

de emoções

nas pernas


pensava jamais

fora mordida

nos lábios


e eu bandeirinha

de coração

nos olhos


a aguardaria

até perder

os dentes.

Rua da PadariA (2013)

• • •

[3]

molhar as plantas

tudo tem barulho de mar

enceradeira isopor carro

em movimento aerosol

espirro pistola moeda


telha bombardeio cigarro

queimando pia degradê

cãimbra inseto monge

sua vizinha o futuro


tem barulho de mar

na camiseta no quadro

chinelo aeroporto gaiola

panela caverna birita


beijo tem biblioteca

também um curió bola

de chiclete sobretudo

um dinossauro alado


tem mar de todo tipo

de barulho e dentro

de cada mar um ralo

entupido de cabelos.

Rua da PadariA (2013)

• • •

[4]

2.

Plantei uma goiabeira

dentro do banheiro

e a cigarra veio

morar  comigo


Desde então tomo banho

de óculos, uma sensação

de melancolia molhada

que aprecio


Mas não amo, amor é o que vejo

semear, romper e brotar

da barriga da cigarra

uma parceria:


O canto

é ancestral, adquirido

às vezes peço uma canção

ela não tem ouvidos


Seu olho esbugalhado

de sapo explosivo

o meu inchado

de chorar sem motivo


Estou satisfeita

mas não devo esperar

nada, é como criar

uma sereia.

Ladainha (2017)

• • •

[5]

73.

Eu os estranho como um velho conhecido

que não chegou a ser amigo, silêncio cheio

de ilusão e mandioca madura


Poemas de corte, de raspagem, de forma

e de detalhamento: ladainha,

o ritmo é raríssimo de se mamar na musa


Quando resolvo dar-lhes nomes

de olhos abertos nunca sei a medida

do bolo, da Terra, da santidade


Meus poemas agora duvidam entre a pedra

marrom e a pedra verde-sabão, de cara vejo

a suspensão confio a tudo que vai passar.

Ladainha (2017)

Perfil

Bruna Beber Franco Alexandrino de Lima  nasceu em Duque de Caxias (RJ) no dia 5 de março de 1984. Reside atualmente em São Paulo. Em 2021, concluiu mestrado em Teoria e História da Literatura na Unicamp. Como autora convidada, já participou de diversos eventos literários no Brasil (Flip, 2013) e no exterior (Göteborg Book Fair, Suécia, 2014). Publicou os seguintes livros: A fila sem fim dos demônios descontentes (2006), Balés (2019), Rapapés & apupos (2012), Rua da PadariA (2013), Zebrosinha (2013), Ladainha (2017) e Uma encarnação em mim: cosmogonias encruzilhadas em Stella do Patrocínio (2022). Além de poeta, é tradutora, artista visual, compositora e pesquisadora. Seus poemas foram publicados na Alemanha, na Argentina, na Espanha, nos Estados Unidos, no México e em Portugal.

Tag's: Bruna Beber, literatura brasileira, poesia, poesia brasileira

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