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Foto: Divulgação
Foto: Divulgação
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Luís Araujo Pereira em Florações Professor e escritor | Publicado em 11 de dezembro de 2022

Luís Araujo Pereira
Professor e escritor
11/12/2022 em Florações

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Cinco poemas de beta(m)xreis

[Curadoria de Luís Araujo Pereira]

[1]

roxo cor

mexe comigo vem

que seja na botina na sola

ou no chapéu se tiver

o que me oferecer

em jeitos de me fazer espanto

e espasmos tanto

na superfície tantos e no

subterrâneo caem cavernas

eu não

quero ficar no lugar de mim eu

não

quero nada disso eu

quero mas não que venha

o laço e me leve que eu repita

farsa e tragédia e nojo

eu não entendo

o que me dá

eu não quero entender o que me atropelou

eu não quero entender o que me deu

o que você deu em mim

com que dado que fico

quantas faces

de material qual

mas de certo roxo só

pode ser sua cor e pra marcar entende-se

que precisa doe

dezessete (2020)

• • •


[2]

amor com espuma de ódio

amor com espuma de ódio

pragas a cada bolha que chega na

superfície e ali

onde senhor céu

deitou leite

brota fina flor demente e é bem como

e não tão como

flor que se usa pra pancada

é pétala é espinho é cheiro

e o que quer

se dite palavra

desencontradas nas reentrâncias não há como

amar sem bater

o carro não há como

amar sem bater a cara

no tapa que sempre

virá não há como

amar sem sentir

a beleza

do abandono da fome do medo não

há como

amar sem chocar-se nas escarpas

amar como escapatória

amar indo vindo em onda

amar ante a morte o inevitável o inescapável

amar fiapo de fagulha

fina

que finda

dezessete (2020)

• • •


[3]

eu me planto e me semeio

jabuticabeira sem eira nem beira

concede a nós beleza de tantos

ramos espalhando e formando

bela copa


desejo é um órgão pulsátil quase

posso tateá-lo e perceber suas

enervações várias e a pele que

o recobre


eu me esparramo no chão como a

lua que se esparrama no céu


toco-me cútis como se

tocasse seu cotovelo e caio

em mim e apenas estou

me tocando


se em outras vidas toquei

boiadas por quais pastos eu

caminhei bem não sei eu queria

ver o mar


eu me derreto na praia como o

sol que se derrete na toda t/Terra

(eu me derreto no araguaia)


minha pele é meu território

e meus terrenos vão além do rio

e me veio uma em desvario e mergulhei

estou molhada


e em mim também donas e donos em

variedade ocupam os espaços e

concedem ocasionais permissões quem

sabe quem


eu me ofereço oferta mas não como

a cruz que marca testa de tantas e tantos


quando me dando recebo e movimento

se faz agradeço e sigo as gentes podem

viver melhor gestando esse ritmo esse rio

esse rito


aqui celebrantes do fluxo que se faz

em mim é uma palavra furacão é uma

palavra maremoto é uma palavra vulcão

é uma lavra


eu me planto e me semeio mas não como

deixo que de mim

façam de mim

banquete no fim

dezessete (2020)

• • •


[4]

fantasma

vou

de um canto a outro

por ruas e caminhos

vejo você

em tantas pessoas eu não

me lembro

qual foi a primeira vez que te vi

eu não sei seu nome

você me persegue tem um

fantasma

no fundo de meus olhos

eu faço

você me perseguir e em cada

lado

lá está você e você pede

e eu te dou um cigarro

e você não estende a mão

quantos

cigarros caídos no chão desespero

te leva

lava devorando os caminhos o asfalto

te ver é um susto

eu não me acostumei ainda que

aconteça

o tempo todo

dezessete (2020)

• • •


[5]

anti

engolir o seco

à medida que se sobe e isso

é sobre

negar é sobre

pôr num SIM obtuso e gigante

um não pequeno porém potente

pôr num SIM mandatório e violento

um não pequeno porém perigoso, e vendo

tudo de cima, vendo do topo, vendo

sem venda alguma,

vendo que cada objeto

com valores que imputamos

precisa ser refeito, e que

casca de árvore

de certo

vale mais que ouro, e que

jorros de água de dentro

tomarão essa seca terra e esses incêndios

e tragarão esses sanguessugas todos,

salafrários mercadores da fé,

orgulhosos em suas hipocrisias,

cínicos em seus falseios,

e a imbecilização geral


essa cruz não é nossa

botar fogo embaixo dela e fazê-la

foguete

dezessete (2020)

Perfil

beta(m)xreis,  pessoa transfeminina não binária, é uma multiartista, dedicando-se principalmente à poesia.  Nasceu em Brasília, em 17 de agosto de 1988, e vive em Goiânia. É graduada em Ciências Sociais na UnB e concluiu mestrado em Antropologia na UFG.  Tem interesse pessoal e profissional  nas áreas de educação, tradução, revisão, antropologia e psicanálise lacaniana. Desenvolveu trabalhos em dança, teatro e performance-arte. Publicou dezessete (editora Nega Lilu, 2020), Lobo Bobo (pdf autopublicado) e Casa Pelos Cacos (selo Lola Frita, 2022), em parceria com Rosa das Neves. É editora da revista Tem Base?!.  Publicou traduções e poemas  em revistas e coletâneas.

Tag's: beta(m)xreis, Nega Lilu, poesia, poesia goiana

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