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Imagem: There is no finished world (André Masson, 1942)
Imagem: There is no finished world (André Masson, 1942)
Imagem: There is no finished world (André Masson, 1942)

Luís Araujo Pereira em Espirais Professor e escritor | Publicado em 29 de outubro de 2023

Luís Araujo Pereira
Professor e escritor
29/10/2023 em Espirais

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Pandemônio

Os quatro homens estavam bebendo e jogando baralho. Acomodados num canto da sala, sob a iluminação de uma luz mirrada que descia do alto obliquamente, sugeriam uma composição barroca, esses quatro homens sentados de modo displicente.

Eles bebiam cerveja alternando-a com goles de cachaça, o que dá fogueira com pouco graveto e coragem aos que têm nervos em frangalhos.

A casa em que estavam era simples – não tinha varanda, não tinha alpendre, não tinha nada de especial: era apenas uma casa de subúrbio, com uma frondosa mangueira ao lado da cerca de arame.

Um carro estava estacionado debaixo da árvore.

O grandalhão acendeu um cigarro. Em seguida, anunciou – a voz tenebrosa, que parecia regurgitar do esgoto:

“Hoje, eu acabo com a raça dele!”

Os três ouviram o que ele disse, sem contestações e acréscimos, e fingiram rir com as suas vozinhas de rato. Ali, ninguém era surdo – e todos entenderam o recado: os primeiros tiros seriam desferidos por ele, da forma como gostava de fazer as suas execuções, para que a sua fama corresse mundo.

Cada um, sem discordar da decisão, pegou a sua arma, enquanto o grandalhão conferia o fuzil. Eles eram os piores malfeitores que um cristão poderia encontrar na noite de Natal.

Após a bebedeira, os quatro dirigiram-se para o carro. O homem feroz assumiu o volante. Depois de terem atravessado a cidade, chegaram ao lugar, a vários quilômetros de onde vieram.

“É por aqui.”

O bairro onde se encontravam era um conjunto residencial, daqueles cujas casas são todas iguais, monótonas e magras, espalhadas por um terreno plano, sem árvores, sem praças, sem serviço público – sem porra nenhuma.

O gueto dos deserdados. A caridade da política urbana praticada por demagogos.

A rua onde tinham estacionado o veículo era comprida; as casas, porém, naquela parte, se esparsavam. Havia um poste com a lâmpada acesa. Eles andaram em direção à última residência.

“O matadouro é logo ali”, disse o homenzarrão – um risinho de deboche escapando pelos dentes ruins.

A noite não prometia grande coisa, nem para quem dormia, nem para quem estava acordado. Assim, fiquemos apenas com o escuro – este que não esconde completamente as formas, mas surpreende mais do que as trevas. Este é o escuro mais denso, que nos submerge pela sua tonalidade indefinida, dentro do qual todas as almas vagam perdidas, e os sonhos flutuam a esmo.

Os quatro homens finalmente pararam diante da casa silenciosa, afundada em sombras. O líder fez um gesto de atenção e exclamou:

“É agora – o carimbo!”

E todos eles atiraram em várias direções, estilhaçando o vidro das janelas, tirando lascas da porta de madeira vagabunda e perfurando a argamassa débil. Em seguida, após esse cartão de visita, invadiram a casa.

“Cadê o miserável?”, berrou o grandalhão, agora colérico, ao mesmo tempo em que avançava pelos poucos cômodos.

A casa estava deserta – apenas móveis toscos e baratos, todos perfurados, ocupavam o interior.

Para confirmar que eram mesmo maus, eles quebraram tudo o que ainda estava inteiro. Nem o gato escapou, porque a fresta era pequena, e o bichano estava meio gordo. Babando de ódio, o marmanjão de um metro e noventa, a barrigona peluda brigando com os botões da camisa, emitiu um lamento:

“Mais dia, menos dia, esse desgraçado cai na minha ratoeira!”.

E os quatro homens saíram pela noite, a enzima da maldade correndo desvairadamente pelo sangue, como se, mais adiante, o Diabo os esperasse para mais uma bandalheira.

Tag's: conto, conto urbano, literatura, literatura goiana, narrativa curta

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