Como ir a Índia e não visitar o Taj Mahal?
“Foi uma linda /História de amor/Que até hoje eu já ouvi contar/ Do amor do príncipe /Shah Jahan pela princesa Muntaz Mahal/ Taj Mahal”… Jorge Benjor canta nos seus versos a eternidade desse amor.
Agra, antiga capital do Império Mogol, é uma cidade localizada no estado de Uttar Pradesh, no norte da Índia, às margens do Rio Yamuna. Esse rio é importante na região, onde são realizados diversos rituais e oferendas em suas margens.
Em Agra, está localizado o conhecido mausoléu construído por Shah Jahan, imperador mogol, para sua esposa Muntaz Mahal. Ela viveu com o imperador de 1612 a 1631 e faleceu aos 37 anos ao dar à luz seu 14º filho. Foi sua principal conselheira e apoiadora. Após sua morte, ele ordenou a construção de um palácio sobre o túmulo dela. O design e o projeto do Taj Mahal são atribuídos ao próprio imperador. O monumento é classificado como Patrimônio da Humanidade pela Unesco e uma das sete maravilhas do mundo moderno.
Foram necessários 20 mil trabalhadores pelo período de 21 anos para construir o suntuoso monumento de mármore indiano branco (a cor do luto para os indianos), contendo inscrições retiradas do Alcorão, pedras semipreciosas, como ametistas persas, safiras do Sri Lanka, cristais e jades chineses, pedra turquesa tibetana, lápis-lazúli do Afeganistão e com fios de ouro na cúpula. O Taj Mahal incorpora tradições islâmicas com arcos, domos e minaretes; o estilo safávida da Pérsia; a influência otomana da Turquia nos minaretes; e motivos decorativos e materiais locais da Índia.
O complexo inclui portal de acesso, pátios, forte, mesquita, mausoléu, domo com quatro minaretes e uma cúpula de mármore branco. O pináculo da cúpula é de ouro maciço, simbolizando a união divina entre céu e terra. As construções estão no centro de um jardim amplo com flores, árvores, fontes, canais de água, piscinas e pilares que refletem o palácio. Essa riqueza representa a beleza de um amor imortal através da harmonia entre natureza, arquitetura e arte.
O Taj Mahal muda de cor ao longo do dia. Ao nascer do sol, adquire uma tonalidade rosada, conhecida como a hora dourada. Durante o pico do dia, o mármore branco fica resplandecente de brilho e os raios solares iluminam cada detalhe das pedras preciosas encrustadas no desenho que adorna sua estrutura. Ao pôr do sol, o monumento adquire uma tonalidade dourada, fundindo-se com o céu alaranjado.
Outro aspecto interessante é a forma como o Taj Mahal pode ser visualizado a partir do Forte de Agra. Se observado a partir do quarto da princesa, ele aparece distante no horizonte. No entanto, ao descer para o pátio onde se realizava o mercado, o Taj Mahal, apesar de estar mais afastado fisicamente, parece estar mais próximo à nossa visão.
Outra visita imperdível é o forte de Agra ou o Forte Vermelho de Agra, também conhecido como Lal Qila. Construído em 1965 pelo imperador mogol Akbar, é também um Patrimônio Mundial da Unesco. Foi ampliado por Shah Jahan, onde viveu com sua amada e construiu o Palácio Akbar e a Mesquita Moti.
Esse forte foi a residência principal dos governantes da dinastia Mogol. Fica cerca de 2,5 km do Taj Mahal, às margens do Rio Yamuna. Tem quatro portões de entrada e o Portão de Delhi, que fica de frente para a cidade é uma obra-prima. Sua construção é de arenito vermelho. A arquitetura é uma mistura de estilos de várias culturas: islâmica, persa, indiana, mongol e europeia, como o Taj Mahal
Visitamos o Jardim das Uvas, Angur Bagh, o Khas Mahal, palácio de mármore branco onde era o quarto das princesas, filhas do imperador Shah Jahan e de sua esposa Mamtaz Mahal, e o salão de Audiências Públicas. Aurangzeb, filho de Shanh Jahan, aprisionou seu pai no Forte de Agra, numa torre chamada Musaman Burj, devido a uma disputa política pelo poder real até seu falecimento. Da sua torre, podia contemplar o Taj Mahal. Foi enterrado junto com sua amada.
Durante o Império Mogol, a Idade de Ouro, as artes das mais diversas formas tiveram uma ascensão nos vários segmentos artísticos: design de joias, arquitetura, mosaicos, tapeçaria.
Agra é uma das cidades referência na técnica de confeccionar manualmente tapetes. As tecelãs sentadas no chão diante de um imenso tear escolhem as cores dos fios e tecem o desenho a ser executado. O processo dura, dependendo da trama, até três anos. Confeccionados com lã e seda, o design geométrico dos tapetes tem como fonte de inspiração o mármore branco com o desenho que está na cúpula do Taj Mahal. O resultado é uma obra de arte, esplendorosa.
Marajás
Outra cidade que visitamos com o Grupo Govinda, coordenado por Mohan (@govinda,turismo), Rebeca, Babu e Tiago (@paespelomundo), foi Jaisalmer. A Índia dos Maharajas! Localizada no coração do deserto Thar, Jaisalmer está situada no maior estado da Índia, o Rajastão, cuja capital é Jaipur. Aqui, viveram os marajás indianos, os Rajputs. Segundo Javier Moro, em seu livro Paixão Índia, “cada principado continua sendo governado, como sempre foi, por soberanos locais que exercem um poder absoluto dentro de suas fronteiras e que se referem a si próprios de maneiras diferente. (…) Nos estados mulçumanos é chamado de mir, kham ou mahatar. E os hindus costumam chama-los de rajá, uma palavra de origem no sânscrito que significa ao mesmo tempo ‘o que tem que agradar’ e ‘o que governa’”.
O prefixo “maha” significa “grande”, um maharaja é um grande rajá. O título de marajá não era comum antes da colonização britânica da Índia. Nesse período, eles eram responsáveis pela governança de estados principescos, apoiavam a religião e a cultura, cobravam impostos, administravam as terras e cuidavam da representação diplomática. Deixaram um legado de peso na arquitetura, na arte, na literatura e na música, que representa a riqueza histórica e cultural da Índia. Mahatma Gandhi se uniu a alguns marajás para ampliar forças contra o Império Britânico e ter financiamento e recursos para a luta pela independência da Índia. Mas também criticou os marajás pelo abuso de poder, pelos privilégios e pela exploração e principalmente pela falta de engajamento de parte deles na luta pela independência. Gandhi, além de se tornar um líder na luta pela liberdade, conseguiu unificar a Índia no respeito e na convivência nas diferenças religiosas.
Atualmente, ainda existem marajás, embora não desempenhem mais papéis políticos. No entanto, continuam a ser tratados com reverência e respeito pelo povo. Parte de seus opulentos palácios agora serve como acomodações para turistas.
Nos hospedamos no hotel Fort Rajwada, de propriedade de um marajá. O hotel funciona quatro meses por ano devido ao calor, que chega a 52°C. A arquitetura do hotel imita um palácio, construído com arenito vermelho e desenhos esculpidos na fachada. O interior possui móveis antigos, tapeçarias em padrões florais e geométricos, arte caligráfica, esculturas representando divindades hindus e várias obras de arte. Hospedar-se no Fort Rajwada oferece uma experiência completa: observação da arquitetura e das obras de arte, conforto nos quartos, limpeza e conservação do espaço, gastronomia variada, recepção calorosa dos funcionários e vista do Deserto de Thar. Vale muito viver um dia de marajá!
O ponto alto do turismo é o Fort Rajwada, que fica no coração de Jailsamer, a cidade dourada. É o segundo forte mais velho do Rajastão. Foi construído em 1156 pelo Rei Rawal Jaisal, é chamado “Sonar Kila” , o Forte dourado.
Durante muitos anos, o forte foi a cidade de Jaisalmer. A construção foi feita de arenito dourado, a areia do deserto, e o estilo arquitetônico é rajastã e islâmico. Tem torres esculpidas com desenhos de animais, flores e pequenas esculturas. Suas ruelas estreitas abrigam um grande comércio interno.
Dentro das muralhas do forte, nas suas ruelas estreitas labirínticas, estão: o Palácio do Maharajara, residências, lojas, restaurantes, templos jainistas, Havelis (mansões que pertenciam à classe rica das vilas do deserto), Museu do Forte com artefatos históricos, jardins, fontes, hotéis e inúmeras barraquinhas – uma cidade com 2.000 moradores. O Marajá de Jaisalmer é Maharawal Brijraj Sing. É um dos poucos fortes vivos do mundo.
Jaisalmer foi uma importante cidade, no passado, para a Rota da Seda, devido à sua localização. A rota ligava o Pacífico ao Mediterrâneo, à Ásia Central, à Índia e ao Golfo Pérsico. É uma época em que o mundo estava mais interligado do que podemos imaginar. É notável a sofisticação das mercadorias como joias, têxteis, especiarias, porcelanas, chás, óleos essenciais e incensos, produtos comercializados que geravam riqueza para as cidades. Através da Rota da Seda, disseminaram-se também as religiões como o hinduísmo, o jainismo e o budismo, competindo com as que tinham raízes na Pérsia, como o zoroastrismo e o maniqueísmo.
À noite, o Forte se ilumina com luzes coloridas, oferecendo um espetáculo para os olhos. Sentar-se com os amigos no terraço do restaurante italiano para assistir a um show de luzes e som é uma experiência única. A volta? Tuk-tuk rasgando na estrada arenosa do deserto.
Mas não tem como ir a Jaisalmer e não assistir ao pôr do sol das dunas, seguido de um jantar no Deserto Thar ao som de música e da dança típicas do Rajastão. Tudo isso regado a um bom vinho e culinária local: lentilhas, pães e legumes.
O deserto tem uma vegetação esparsa e a noite é um convite para olhar as estrelas no céu.
Outro passeio interessante e curioso é ver o pôr do sol no Royal Cenotaphs – Bad Bagh (em hindi significa “grande jardim”). No topo de uma colina foi construído um monumento pelos reis do estado de Jaisalmer nos séculos XVIII e XIX, em homenagem póstuma a Jait Singh II e seus sucessores. É o cemitério dos Maharajas. É um testemunho da rica arquitetura rajastã e islâmica. O lugar, hoje, parece um pouco abandonado, mas subir a colina dá uma vista deslumbrante do pôr do sol.
Nesta Índia cheia de contrastes, a história dos marajás é curiosa e cheia de detalhes, como por exemplo a paixão pelo Ocidente, e principalmente pelas histórias de suas Maharani, suas esposas. O livro Paixão Índia, de Javier Moro, narra o romance do Marajá de Kapurthala com a balairina espanhola Anita Delgado. Esses marajás surpreendiam no amor.
Haribol!










