[Curadoria de Luís Araujo Pereira; tradução de Patricia Peterle]
[1]
tutto è stato una e una volta
prima degli alberi bianchi,
tu non sei nell’ombra,
sei un sasso liscio
la neve illuminata
da una luce interna,
sotto i tuoi piedi la terra splende
tudo foi uma e uma só vez
antes das árvores brancas,
você não está na sombra,
é uma pedra lisa
a neve iluminada
por uma luz interior,
debaixo dos teus pés brilha a terra
***
[2]
non è preceduta dalla luce
non è altra ora questa,
rischiara,
e potresti, anche tu, prendere sonno
ti alzi e vai in cucina
scaldi un bicchiere di latte,
qualcosa non vuole finire
não é antecipada pela luz
não é outra hora esta,
clareia,
e, você também, pode adormecer
se levanta e vai à cozinha
esquenta um copo de leite,
algo teima em não acabar
***
[3]
la porta senza nient’altro, nella sabbia
la casa è andata a fuoco
questo com’è rimasto, non lo sai dire
e nient’altro
ora nevica
sulla terra visibile e sul mare
a porta sem mais nada, na areia
a casa pegou fogo
como isso ficou, você não sabe dizer
e mais nada
agora neva
sobre a terra visível e no mar
***
[4]
luce di casa,
calore di corpi e cucina
da quanto tempo. Si avvicina,
si avvicina l’inverno e nessuno
più versa vino a terra per i mort
luz de casa
calor de corpos e cozinha
há quanto tempo. Se aproxima,
se aproxima o inverno e ninguém
mais põe vinho no chão para os mortos
***
[5]
non ci sono
vie nell’erba alta,
tu non hai avuto
paura mai, dell’aperto
ci sono pozze
di ghiaccio e gatti
inselvatichiti, il confine
si sposta più avanti ogni giorno
não há sendas
no mato alto,
você não teve
medo nunca, do aberto
há poças
de gelo e gatos
ora selvagens, a fronteira
se move mais pra frente a cada dia
Laura Pugno (1970) nasceu e mora em Roma. Seus livros receberam prêmios na Itália e estão traduzidos para várias línguas. É uma das editoras da coleção I domani da editora Aragno. Organizou e idealizou o festival de poesia I quattro elementi (Madri 2018-2019) e o podcast Oltrelontano. Poesia come paesaggio. Escreve também para cinema e teatro. Faz parte do comitê do Prêmio Strega Poesia. Foi diretora do Istituto Italiano di Cultura de Madri. É tradutora do inglês, francês e espanhol. Tennis (com textos de Giulio Mozzi, 2001), Il colore oro (2007), DNAct (2008), La mente paesaggio (2010), Bianco (2016), L’alea (2019), Noi (2020) e I nomi (2023) são livros de poesia. Sirene (2007), Quando verrai (2008), Antartide (2011), La caccia (2012), La ragazza selvaggia (2016), La metà di bosco (2018), Noi senza mondo (2024) são seus romances. É possível acompanhar suas inúmeras atividades em www.laurapugno.it. (PP)
Patricia Peterle é crítica, tradutora, poeta e professora da UFSC. É pesquisadora do CNPq. Traduziu do italiano Pascoli, Caproni, Testa, De Signoribus, Maria Grazia Calandrone, Zanzotto, Agamben, Esposito, Rella. Escreveu e organizou diversos ensaios: no limite da palavra (2015), Vozes: cinco décadas de poesia italiana (2018), A palavra esgarçada (2018). Seus livros mais recentes são À escuta da poesia (2023), Perdi o peão, mas aceito jogar (2024) e Quando a língua bate (2024). (PP)
Recentemente, traduziu de Laura Pugno Branco, em edição bilíngue, publicado em 2024 pela editora Urutau, de São Paulo, do qual foram selecionados os poemas que compõem esta coluna.






