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Foto: Divulgação
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Luís Araujo Pereira em Florações Professor e escritor | Publicado em 17 de agosto de 2025

Luís Araujo Pereira
Professor e escritor
17/08/2025 em Florações

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Cinco poemas de Antonio Cicero

[Curadoria de Luís Araujo Pereira]

[1]

Guardar

Guardar uma coisa não é escondê-la ou trancá-la.

Em cofre não se guarda coisa alguma.

Em cofre perde-se a coisa à vista.

Guardar uma coisa é olhá-la, fitá-la, mirá-la por

admirá-la, isto é, iluminá-la ou ser por ela iluminado.

Guardar uma coisa é vigiá-la, isto é, fazer vigília por

ela, isto é, velar por ela, isto é, estar acordado por ela,

isto é, estar por ela ou ser por ela.

Por isso melhor se guarda o voo de um pássaro

Do que pássaros sem voos.

Por isso se escreve, por isso se diz, por isso se publica,

por isso se declara e declama um poema:

Para guardá-lo:

Para que ele, por sua vez, guarde o que guarda:

Guarde o que quer que guarde um poema:

Por isso o lance do poema:

Por guardar-se  o que se quer guardar.

Guardar (1996)

⃰  ⃰  ⃰


[2]

Solo da paixão

O solo da paixão não dura mais

que um dia antes de afundar, não mais

que esta noite ou esta noite e um dia

e o clarão da noite antes de amargar.

Um dia solar eu vou lhe entregar:

que ela sequestre o mundo por um dia

(um dia só será que já vicia?)

depois devolva  tudo: terra céu e mar.

Guardar (1996)

⃰  ⃰  ⃰


[3]

Canção do amor impossível

Como não te perderia

se te amei perdidamente

se em teus lábios eu sorvia

néctar quando sorrias

se quando estavas presente

era eu que não me achava

e quando tu não estavas

eu também ficava ausente

se eras minha fantasia

elevada à poesia

se nasceste em meu poente

como não te perderia

A cidade e os livros (2002)

⃰  ⃰  ⃰


[4]

História

A história, que vem a ser?

Mera lembrança esgarçada

algo entre ser e não-ser:

noite névoa nuvem nada.

Entre as palavras que a gravam

e os desacertos dos homens

tudo que há no mundo some:

Babilônia Tebas Acra.

Que o mais impecável verso

breve afunda feito o resto

(embora mais lentamente

que o bronze, porque mais leve)

sabe o poeta e não o ignora

ao querê-lo eterno agora.

A cidade e os livros (2002)

⃰  ⃰  ⃰


[5]

Nihil

nada sustenta no nada esta terra

nada este ser que sou eu

nada a beleza que o dia descerra

nada a que a noite acendeu

nada esse sol que ilumina enquanto erra

pelas estradas do breu

nada o poema que breve se encerra

e que do nada nasceu

Porventura (2012)

Antonio Cicero Correia Lima nasceu no dia 6 de outubro de 1945, no Rio de Janeiro, e morreu em 23 de outubro de 2024, em Zurique, na Suíça. Estudou filosofia na PUC-RJ e no Instituto de Filosofia e Ciências Sociais da UFRJ.  Na Inglaterra, concluiu o curso de filosofia na Universidade de Londres. Sua pós-graduação foi realizada na Universidade de Georgetown, nos Estados Unidos, em 1976. Foi professor de Filosofia e Lógica em universidades do Rio de Janeiro. Na área da filosofia, publicou O mundo desde o fim (1995), Finalidades sem fim (2005), Poesia e filosofia (2012), Poesia e crítica (2017), O eterno agora (2024). Como poeta, deixou três livros: Guardar (1996, Prêmio Nestlé de Literatura Brasileira), A cidade e os livros (2002) e Porventura (2012). Foi letrista de sucessos na música popular brasileira, tendo parceiros como Marina Lima (sua irmã), Caetano Veloso, Adriana Calcanhotto, João Bosco, entre outros músicos. Em 2025, a Companhia das Letras publicou Fullgás, que reúne sua poesia e letras de canções. Em posfácio, a escritora e crítica literária Noemi Jaffe teceu a seguinte consideração sobre sua poética: “Odes, elegias, nênias, figuras mitológicas, métrica rígida, rimas toantes e soantes, léxico elevado, sintaxe escorreita, contemplação homoerótica, elogio da beleza e da juventude, carpe diem, tempus  fugit são apenas alguns dos elementos clássicos greco-romanos a serem adotados por Antonio Cicero e distribuídos à farta em seus três livros de poesia” (p. 220).

Tag's: Antonio Cicero, literatura, literatura brasileira, poesia, poesia brasileira

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