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Foto: Barbara N. Radloff (1958)
Foto: Barbara N. Radloff (1958)
Foto: Barbara N. Radloff (1958)

Luís Araujo Pereira em Florações Professor e escritor | Publicado em 19 de outubro de 2025

Luís Araujo Pereira
Professor e escritor
19/10/2025 em Florações

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Cinco poemas de Hannah Arendt

[Curadoria de Luís Araujo Pereira; tradução de Daniel Arelli]

[1]

Abschied

Nun lasst mich, o schwebende Tage, die Hände Euch reichen.

Lhr entfliehet mir nicht, es gibt kein Entweichen

Ins Leere und Zeitenlose.


Doch legt eines glühenden Windes fremderes Zeichen

Sein Wehen um mich ; ich will nicht entweichen

In die Leere gehemmter Zeiten.


Ach, Ihr kanntet das Lächeln, mit dem ich mich schenkte.

Ihr wusstet, wie vieles ich schweigend verhängte,

Um auf  Wiesen zu liegen, und Euch zu gehören.


Doch jetzt ruft das Blut, das nimmer verdrängte

Hinaus mich auf  Schiffe, die niemals ich lenkte.

Der Tod ist im Leben, ich weiss, ich weiss.


So lasst mich, o schwebende Tage, die Hände Euch reichen.

Ihr verlieret mich nicht. Ich lass Euch zum Zeichen

Dies Blatt und die Flamme zurück.

Gedichte (1923-1926)


Despedida

Deixem-me dar-lhes a mão, dias etéreos.

Vocês não escapam, não há remédio

contra o vazio e o atemporal.


Mas um estranho sinal desta ardente brisa

me rodeia com seu sopro; não há saída

ao vazio de tempos bloqueados.


Vocês viram o riso com que me entreguei.

Sabiam o quanto eu, em silêncio, ocultei,

para deitar na relva e estar com vocês.


E agora o sangue, que nunca reprimi,

me chama ao barco que jamais conduzi.

A morte é na vida, eu sei, eu sei.


Deixem-me dar-lhes a mão, dias etéreos.

Vocês não me perderão. Como gesto

deixarei esta folha, esta flama.

Poemas (1923-1926)

⃰  ⃰  ⃰


[2]

Nachtlied

Nur die Tage laufen weiter,

Lassen unsere Zeit verstreichen.

Stets dieselben dunklen Zeichen

Wird die Nacht uns stumm bereiten.


Sie muss stets dasselbe sagen

Auf dem gleichen Ton beharren,

Zeiget auch nach neuem Wagen

Immer nur, was wir schon waren.


Laut und fremd verlockt der Morgen,

Bricht den dunklen stummen Blick

Gibt mit tausend neuen Sorgen

Uns dem bunten Tag zurück.


Doch die Schatten werden bleiben,

Um den Tag sich scheu zu schliessen,

Lassen wir auf raschen Flüssen

Uns zu fernen Küsten treiben.


Unsere Heimat sind die Schatten,

Und wenn wir zutiefst ermatten,

In dem nächtlich dunklen Schoss

Hoffen wir auf leisen Trost.


Hoffend können wir verzeihn

Allen Schrecken, allen Kummer.

Unsere Lippen werden stummer –

Lautlos bricht der Tag herein.

Gedichte (1923-1926)


Canção noturna

Seguem passando os dias,

nosso tempo corre assim.

Com seus escuros sinais

a noite nos cala, enfim.


Ela fala em um só tom

e tem uma só mensagem.

Pouco importa o quanto ousamos,

mostra nossa mesma imagem.


A manhã com seus ruídos

rompe os escuros olhares.

Com mil afazeres novos

dá um novo dia aos lares.


Mas as sombras permanecem

e esquivas fecham o dia.

Deixem-nos por rios céleres

deslizar até outras vias.


Nossa pátria são as sombras

e quando estamos cansadas

a noite e seu escuro colo

nos oferecem consolo.


Com esperança perdoamos

o pavor e a agonia.

Nossos lábios ficam mais mudos –

em silêncio irrompe o dia.

Poemas (1923-1926)

⃰  ⃰  ⃰


[3]

Fahrt durch Frankreich

Erde dichtet Feld an Feld,

flicht die Bäume ein daneben,

lässt uns unsere Wege weben

um die Äcker in die Welt.


Blüten jubeln in dem Winde

Gras schiesst auf, sie weich zu betten,

Himmel blaut und grüsst mit Linde,

Sonne spinnt die sanften Ketten.


Menschen gehen unverloren –

Erde, Himmel, Licht und Wald –

jeden Frühling neugeboren

spielend in das Spiel der Allgewalt.

Gedichte (1942-1961)


Viagem pela França

Campo a campo a terra densa

trança as árvores ao lado

deixa-nos abrir as sendas

na roça, no mundo largo.


Flores, flores na ventania

a grama vem abraçá-las

azula o céu, acena a tília

e o sol traça linhas largas.


Terra e céu, luz e floresta –

as pessoas vão serenas –

renascem na primavera

no jogo da força plena.

Poemas (1942-1961)

⃰  ⃰  ⃰


[4]

Goethes Farbenlehre

        Gelb ist der Tag.

        Blau ist die Nacht.

        Grün liegt die Welt.

Licht und Finsternis vermählen

sich im Dunklen wie im Hellen.

Farbe lässt das All erscheinen,

Farben scheiden Ding von Ding.


Wenn der Regen und die Sonne

Ihrer Wolkenzwiste müde

noch das Trockne und das Nasse

in die Farbenhochzeit einen,

glänzet Dunkles so wie Helles –

Bogenförmig strahlt vom Himmel

        Unser Auge, unsere Welt.

Gedichte (1942-1961)


A doutrina das cores de Goethe

        O dia é amarelo.

        A noite, azul.

        Verde é o mundo.

Luz à treva se entrelaça

no claro, também no escuro.

Já a cor tudo atravessa

distingue as coisas do mundo.


E enfim o sol e a chuva

livres da plúmbea querela

unem o seco e o molhado

em casamento-aquarela

brilha o claro, brilha o escuro –

um arco raia no céu

        nosso olhar, nosso mundo.

Poemas (1942-1961)

⃰  ⃰  ⃰


[5]

[Ohne Titel]

Ich seh Dich nur

wie Du am Schreibtisch standest.

Ein Licht fiel voll auf  Dein Gesicht.

Das Band der Blicke war so fest gespannt,

als sollt es tragen Dein und mein Gewicht.


Das Band zerriss,

und zwischen uns erstand

ich Weiss nicht welches seltsame Geschick,

das man nicht sehen kann, und das im Blick

nicht spricht noch schweigt. Es fand

und sucht ein Lauschen wohl

die Stimme im Gedicht.

Gedicht (1942-1961)


[Sem título]

Te vejo apenas

como à escrivaninha paravas.

A luz acertava-te a face.

Tão firme nosso olhar se enlaçava

como se o meu e o teu peso carregasse.


Partiu-se o laço

e entre nós ressurgiu

não sei que porvir estranho

que não se pode ver, e que o olho

não fala nem cala. Mas sentiu

e procura uma escuta atenta

da voz dentro do poema.

Poemas (1942-1961)

Hannah Arendt nasceu em 14 de outubro de 1906, em Hannover, na Alemanha, e morreu em 4 de dezembro de 1975, em Nova York, nos Estados Unidos. Uma das vozes mais importantes e originais da filosofia no século XX, a pensadora de origem judaica escreveu obras fundamentais como Origens do totalitarismo (1951), A condição humana (1958) e Sobre a revolução (1963). Essa teórica notável da política também foi uma grande leitora de poesia, a ponto de dizer, em uma entrevista em 1964, que “a poesia tinha um enorme papel em sua vida”. De fato, seus trabalhos filosóficos se nutriram em diversas passagens dos versos de poetas como Hölderlin, Rilke,  Brecht, W. H. Auden. Na intimidade, ela própria compôs, ao longo de sua vida, cerca de 70 poemas, os quais vieram a público somente depois de sua morte, primeiramente de forma esparsa, e depois reunidos em um volume intitulado Também eu danço, publicado na Alemanha em 2015, e cuja tradução brasileira, a cargo de Daniel Arelli, foi lançada no Brasil em 2023 pela Relicário,  de onde foi extraída a seleção que ilustra esta coluna. Uma primeira fase dessa produção poética, de caráter mais lírico, data de meados da década de 1920, quando Arendt, ainda uma jovem e promissora estudante de Filosofia na Alemanha, manteve um profundo envolvimento intelectual e amoroso com seu mestre Heidegger. Os demais foram escritos entre as décadas de 1940 e 1960, período em que ela viveu a experiência de apátrida, testemunhou os horrores da Segunda Guerra Mundial e do Holocausto, encontrou um novo lar nos Estados Unidos, após o período de exílio na França, e se tornou uma das mais célebres pensadoras de nosso tempo. Em uma anotação do seu Diário filosófico de agosto de 1969, Hannah Arendt escreve que “a metáfora é o que liga pensamento e poesia. Chama-se conceito em filosofia o que se chama metáfora em poesia. O pensamento cria seus ‘conceitos’ a partir do visível para caracterizar o invisível”.  No diálogo entre poesia e filosofia, os versos de Arendt também podem ser vistos como uma forma de exercício daquela que ela dizia ser sua atividade preferida: o “negócio” de pensar. (Rosângela Chaves)

Tag's: filosofia, filosofia alemã, Hannah Arendt, poesia

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