Quase 20 anos depois da publicação de seu primeiro livro de poemas, Partitura, o poeta Al-Chaer, mineiro radicado em Goiânia desde a infancia, lança o seu segundo livro, Lentes, nesta terça-feira, día 25 de novembro, no Coletivo Centopeia, no Setor Sul, a partir das 18 horas. Publicada pela Editora Mondru, a obra foi pensada e estruturada como uma homenagem ao cinema. Professor dos cursos de Engenharia da PUC Goiás e da UFG, com mestrado em Engenharia Civil pela PUC-Rio, Al-Chaer também é artista visual, com participação em diversas exposições no Brasil e no exterior. Confira a entrevista que ele concedeu a Ermira Cultura sobre o seu novo livro.
O seu primeiro livro, Partitura, é de 2006. Há uma razão particular para você ter publicado, com todos os méritos gráficos e poéticos, o seu segundo livro, Lentes, só agora, em 2025?
Realmente, entre Partitura e Lentes há quase duas décadas. A partir do lançamento de Partitura, não dei sequência à concepção e ao desenvolvimento de um próximo livro de poemas, porque havia a necessidade de divulgar e receber as percepções sobre o primeiro livro. Paralelamente a isso, estava iniciando minha trajetória na poesia visual (que se deu em 2005) e nos anos seguintes eu me concentrei bastante na produção, na divulgação e na participação em grupos interessados no poema visual. Passei a estudar os movimentos que antecederam esse estilo poético para poder situar e compreender em que ramo da poesia visual minha produção se inseria e tive a oportunidade de participar de diversas mostras de poesia visual no País e no exterior. Mas eu não parei de escrever a tradicional poesia verbal. A concepção de Lentes (uma homenagem ao cinema, através de uma poesia que já tinha sido referenciada em Partitura por sua característica imagética e narrativa) traz poemas que não entraram na seleção para Partitura e vários outros escritos posteriormente, sendo que alguns deles feitos especialmente para o livro, como, para citar apenas alguns dentre outros, “Trilha sonora” (uma homenagem ao genial Ennio Morricone), “Lentes” (que dá nome ao livro), “Carlitos” e “Metragem”. O livro Lentes já estava praticamente pronto, quando veio a pandemia. Daí, uma pausa forçada e, com a retomada do processo, chegamos a 2025, com Lentes sendo apresentado com todo o cuidado, competência e profissionalismo com que a Editora Mondru trata suas publicações desde a editoração, leitura crítica, revisão até a produção gráfica.
Lentes é um livro surpreendente pelo projeto orgânico que o estrutura. Você o pensou tendo em mente algum filme ou mesmo um diretor?
Eu gosto muito de cinema. Talvez eu goste em mesma intensidade de poesia e de futebol, mas não me pergunte a ordem de preferência: não saberia dizer. Certamente, quando eu concebi Lentes, toda a obra de Chaplin – extraordinária e fundante na história do cinema – esteve presente. Contudo, o filme que eu quis homenagear foi Cinema Paradiso, dirigido por Giuseppe Tornatore, a maior “declaração de amor” à arte do cinema a que eu já assisti. E, quanto a um diretor em mente, este é Clint Eastwood.
Na sua prática de escritor, você se dedica tanto à poesia visual quanto à verbal, ambas com distinções notórias. Com qual das duas formas você tem mais identificação?
Eu me identifico tanto com a poesia verbal quanto com a poesia visual. Eu diria que aquilo que aprendi lendo o livro ABC da Literatura (Ezra Pound) contribuiu para uma espécie de migração de minha poética da expressão verbal para a visual, como sendo um exercício de depuração da imagem narrativa por meio das palavras para a estética concreta da imagem-objeto com poder de comunicação. Não por acaso, há um poema que se intitula “Corta!” em Lentes dedicado a Ezra Pound.
Quais são os escritores que marcaram ou ainda influenciam a sua escrita poética?
Muitos… Fernando Pessoa, Ferreira Gullar, Neruda, Drummond, os “Mários”: Faustino, Chamie, Benedetti; Leminski, Clarice, Hilda Hilst, Cortázar, João Cabral, Luís Araujo Pereira, Pio Vargas, Herberto Helder…
Quais são os seus próximos projetos na área da literatura, seja a visual, seja a verbal?
Pretendo realizar uma mostra individual de poesia visual e já tenho dois livros em poesia verbal em fase de concepção: um somente com poemas “de amor, por amor, sem amor e com amor… haja amor!” e outro sobre “futebol” (este talvez seja um híbrido entre poesia verbal e visual).
Serviço
Lançamento do livro: Lentes, de Al-Chaer (Editora Mondru)
Quando: 25 de novembro, terça-feira, das 18 às 21 horas
Local: Coletivo Centopeia, Av. Cora Coralina, nº 140, Setor Sul (entrada pela Praça Wilson Chaves)





