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Foto: Glauco Gonçalves
Foto: Glauco Gonçalves
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Glauco Roberto Gonçalves em Chapadão Professor e pesquisador | Publicado em 14 de dezembro de 2025

Glauco Roberto Gonçalves
Professor e pesquisador
14/12/2025 em Chapadão

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Quando a cidade perde seu rebolado

Dá até pra definir uma cidade por seus ritmos. Mais raro é estar no lugar e na hora em que a cidade perde seu rebolado. E certamente não há um dia e uma hora certos para perder o passo, digo o ritmo, mas se fosse para estabelecer o dia e a hora ideais, seria difícil, ao menos para mim, pensar outro momento que não o domingo à noite.

No domingo à noite do dia 30 de novembro de 2025, Goiânia perdeu seu rebolado. Aquele tenro, notadamente tecido por dois corpos já preenchidos pelo tempo. Aquele da mão leve do homem idoso no tecido de cetim invariavelmente vermelho mesmo quando verde ou azul, da mulher quase sempre mais jovem, mas também já idosa.

Na noite de domingo de novembro, em seu dia 30, de 2025, a cidade de Goiânia produziu sem perceber, silenciosamente, enquanto as caixas de som tocavam alto pela última vez, uma espécie de antimineração, um des-achar do ouro. Enterrou-se ali o tal pote de ouro que morava no fim do arco-íris, acabou-se ali a casa de dança Sanfona de Ouro.

Dá até pra definir a cidade como lócus do contraponto constante aos velhos. Sedenta por uma sucção de tudo que tem tempo, a cidade vai comendo e enterrando casas e prédios antigos, vai vomitando novas formas no espaço e no tempo não por querência própria, mas pela submissão cega à fórmula tautológica da reprodução das relações de produção que vê nela nada mais que parcelas de dinheiro possível. E o corpo velho sempre compra pouco.

Já é sabido por nós e de conhecimento difundido na literatura, seja acadêmica, seja poética, que a cidade que devora tempos não gosta de memórias, gosta do rápido, gosta do que é novo. E os velhos e velhas, idosos e idosas, são lentos e dispõe de demasiadas memórias. Mas se ficarem com elas no sofá, vá lá, agora, terem lugar no meio da cidade para dançar, aí já é demais.

Na noite do dia 30 de novembro, um domingo de 2025, a cidade de Goiânia não perdeu uma casa de dança: perdeu a possibilidade de exercício de um tempo lento. Perdeu um espaço mágico onde a terceira idade sorria, dançava, bebia e paquerava. Afronta demais juntar tudo isso em qualquer cidade do mundo.

Mas o Sanfona de Ouro de Ouro produziu um tipo de riqueza não catalogada no mercado internacional de commodities: a alegria de gente velha!  Esteve ali por 28 anos consecutivos produzindo esse ouro: gente velha rindo, dançando, bebendo e paquerando. A alegria das pessoas mais velhas não cabe no PIB nem é comercializada em bolsa de valores quando o dinheiro é pouco e quando a alegria é muita. Quando o dinheiro é muito e a alegria é pouca, os cruzeiros e bons restaurantes resolvem quase tudo.

Em novembro de 2025, em uma noite de domingo de clima ameno e agradável, Goiânia, essa quase não cidade, ficou menor ainda: perdeu o Sanfona de Ouro. Naquela noite, lá mesmo, foi dia de comemorar o aniversário da dona da casa: Cleide completou 50 anos. O mercado imobiliário bateu palmas.

Tag's: goiânia, memória, paisagem urbana, Sanfona de Ouro

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