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Imagem: O Berço (Berthe Morisot, 1872)
Imagem: O Berço (Berthe Morisot, 1872)
Imagem: O Berço (Berthe Morisot, 1872)

Marília Fleury em Pomar Designer e curadora | Publicado em 11 de janeiro de 2026

Marília Fleury
Designer e curadora
11/01/2026 em Pomar

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Stanley, Sputinyk, Sprite, Scotch-brite

Eu começo pela letra A: abalonia, Antuérpia, amálgama, ansiedade, abduzido, antiguidade,  amável, astigmatismo, aspiração, átomo, azeite, Antônio, acrópole, alíquota,  abrupto,  avassalador, alcaçuz, âmbar…

Funciona? Funciona. A não ser que você esteja escrevendo um texto. Aí, é impossível ficar concentrado no que se está escrevendo, enquanto procura na mente um mundão de palavras em ordem alfabética.

Ansiedade, pensamentos invasivos, TDAH: antídoto. Na verdade, eu nem chequei PROFISSIONALMENTE se tenho TDAH, porque algum estresse pode mascarar o resultado, mas só pode ser isso que causa esse sururu mental ininterrupto. Além do mais, gosto de palavras: as lindas, as simples, as calorosas e as frígidas, as escandalosas e as tímidas, quase todas, menos as más, ruinzinhas mesmo. Quantas palavras existem no mundo?! Quantas se quer, quantas se precisam e quantas a gente inventa. Assim, muitas, imensidão mesmo, que brotam aí dos livros, das músicas, das conversas que escutei pelo tempo, sem nem chamar. Brotam do nada. É, os problemas também brotam do nada. É a parte que me cabe nesse latifúndio?!

E mais coisas que vão surgindo PAU-LA-TI-NA-MEN-TE, além de uma persistente e discreta dorzinha no quadril esquerdo. E, ultimamente, de maneira invasiva e incontrolável, a síndrome de VirandoaMinhaMãe, que tem acometido também um sem-número de filhas à medida que o tempo avança. É grave? De certa forma sim, pois acho que ninguém quer virar a própria mãe,  mesmo se ela for ótima.

É claro que ninguém quer virar a própria mãe nem outra pessoa, todo mundo quer se afirmar como pessoa única desde o momento  em que se entende por gente.   E o que a gente mais quer? A gente quer ser SIMESMA, com todos os penduricalhos emocionais que isso implica (Ah, nem sempre. Muitas e muitas vezes, eu quero mesmo é ser a Sigourney Weaver, com seus bem mais de muito mais de metro de beleza natural e normal e caráter decidido). A gente não quer ser a própria mãe. Eu não quero.  Ponto pacífico.

Exemplo da síndrome? Eu estava saindo do mercadinho e topei com uma vizinha que conheço há anos e com a qual troquei poucas palavras ao longo do tempo. Ela estava com a filha, e eu sei que elas não têm carro: Quer que eu te deixe em casa? Você está cheia de compras. Sabe o que ela falou, bem na minha cara? Só por causa disso?! Obrigada, você é bondosa igual a sua mãe! Bem assim, na minha cara, só por isso. Ô, Deus!

Numa ocasião,  quando a cabeça da minha mãe funcionava, entramos numa molduraria. Quando viu o dono, já soltou: Estou reconhecendo o senhor. Eu já vim aqui antes, e o trabalho de vocês não ficou nada bom (Ué,  se o trabalho não tinha ficado bom, por que é  que ela voltou lá?! Acho que foi só para espinafrar mesmo, desopilar o fígado). Ele disse que agora tinha um funcionário novo, e ela continuou; Mas será que vocês conseguem mesmo fazer alguma coisa que preste? Porque parece que é contra a religião de vocês fazer alguma coisa bem-feita. Orgulho e preconceito? Não,  brabeza e virulência. Mais: nas mais diversas ocasiões e B.O.s., ela encerrava, categórica: se não gostou, que coma menos. (Comer menos?! Como assim?! De onde saiu esse ditado?!).

Daí,  que vendi o carro em fevereiro e recebi uma multa agora em outubro. Passei mensagem de áudio para quem fez a venda: Eu não quero que transfira o carro imediatamente, eu quero que transfira o carro mais do que imediatamente! Eu não quero nem saber se a pessoa não tem dinheiro para transferir o carro. Se a pessoa não tem dinheiro para transferir o carro, é só não ter carro, simples assim. E, se isso não for resolvido até segunda-feira,  eu já vou procurar um advogado e entrar com um processo por DANOS MORAIS.  Bacana, baralho,  Birmânia, bule, bílis, boutique (ele tá de olho é na boutique dela?), bichano, barraca, basque, bosque…

Me senti como se estivesse incorporando o próprio espírito materno.  Existe isso? Incorporar o espírito de uma pessoa viva?! Justo eu que, como diz amiga antiga,  tenho DNA de ovelha. Camisa, carambola,  calma, calcedônia, caramelo, Carandiru (apago na hora), caminho,  cachorro, Califórnia (viver a vida sobre as ondas?), camelo, crumble, camélia, colina, cantiga…

E, também como minha mãe,  já incorporei o papel de solucionadora de problemas alheios. Maçada, mercado, minúcia, mistério, melancia, maneirismo, maçã, maré (Eu sou pobre, pobre, pobre, de marré decí?). As pessoas chegavam nela e despejavam a caçamba de problemas,  probleminhas e problemões que,  ao contrário do poema do Leminski, não saíam para passear no domingo. Providência, profano, pashmina, panaceia, parábola, pândego, pirilampo plúmbeo, prímula, parábola …

E não é que alguéns nada íntimos também já me despejaram um balde na cabeça?! Não uma caçamba,  mas um balde e,  de balde em balde, já se enche uma caçamba. Só lembrei de você (Ah, não pensem em mim, não lembrem de mim, não chamem por mim!). Quaresmeira, quórum, qualidade, quati, queijo, quase, quarteto, quimera, quisera, quebranto, quietude, quasar… Ok, alguns probleminhas têm a medida de uma xicrinha de café (um golinho só na xicrinha azul fininha com pombinhas brancas), como  a vizinha-ainda-jovem-com-cinco-filhos-sem-carro-e-sem-ecobag-para-as-compras, vê se pode? Nem pediu, não, que já deixei uma das minhas muitas na casa dela.  Quem procura acha? Outra, com uma indiretinha pidona: Estou aniversariando hoje!/ Sééério? Parabéns (ok, eu também envelheço na cidade).

Sesmaria, sucata,  sacrilégio, Sacramento, sabiá,  sapiência, Stanley, Sputinyk, Sprite, Scotch-brite … estou no mercadinho, paro em frente à gôndola de material de limpeza e pego a esponja, o que reluz em mim a ideia de limpeza e eficiência, pois é preciso trocar toda semana, para que não vire um trapo  mole e nojento e cheio de bactérias (ah, a dona de casa que não sai de mim, não sai,  não sai), suspiro,  sagrado, sacrilégio, sinfonia, sonoplastia, síncope, simbiose…

Enquanto em mim se avolumam problemas próprios, alguns troços complexos (traqueia, truta, turmalina, tranquilo, tarântula, trapiche, testamento, tamarindo, traste, tamanduá, Turquia…), eu organizo mentalmente os problemas alheios de fácil resolução,  em que os aproblemados se enroscam, assim: zás-trás, só uns poucos cortes cirúrgicos sérios e precisos, o que eu penso que é um talento,  mas que eu-não-quero-não-porque-não-tenho-nada-com-isso, o que é o xis da questão, e eu já tenho mesmo é certeza de que foi ELA,  a MÃE, quem começou com isso. Xinguara, Xambioá, xícara, xilofone, xará, xerife, xote, xarope, xilindró, xale, xenofobia.

E não é que agora, igualzinho a minha mãe, eu dei até para falar que estou combalida, depauperada, quando estou só meio cansada mesmo?

Zulmira, Zico, Zenóbio, Zélia e Zaqueu zarparam zunindo para Zâmbia?

Aceito simpáticas sugestões.

Tag's: cotidiano, crônica, literatura, literatura goiana

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