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Foto: Lincon Zarbietti/Divulgação
Foto: Lincon Zarbietti/Divulgação
Foto: Lincon Zarbietti/Divulgação

Luís Araujo Pereira em Florações Professor e escritor | Publicado em 18 de setembro de 2022

Luís Araujo Pereira
Professor e escritor
18/09/2022 em Florações

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Cinco poemas de Duda Machado

[Curadoria de Luís Araujo Pereira]

[1]

Viver

                  Nulla dies sine linea

dias

dias sem nenhuma linha

nenhuma linha

salvo o horizonte

dias de nenhuma linha

nenhuma

dias de dias de dias: o horizonte

dias sem nenhuma linha

dias sem mais nenhuma linha

dias sem mais nenhuma linha um

um sem mais nenhuma linha o horizonte

sem nenhuma linha

dias

um

sem mais nenhuma linha

nenhuma linha

nenhuma

Zil (1977)

• • •


[2]

Juntos

o horizonte é a luz

que em cor tão unânime

apaga as superfícies

de que vive


esta paisagem

é só o sopro

de um instante-abismo

que apenas há


ei-los depois.

recém-nascidos,

já se respiram:

contemplador,

horizonte,

céu e mar.

Um outro (1989)

• • •


[3]

Manhã piscina

na nudez do maiô

a figura inteira absorta

espraia em olhar-se


(entre um andar e outro

estreita-se a cabine

do elevador)


quando solta em seguida

os cabelos

deles despreende

um clima autônomo

de brisa


é assim que antecipa

ao fundo agora fluido

do espelho

seu banho

– leveza de manhã piscina –


dá-se então que da borda

o observador

em cisma atira-se

ao fundo – nada

em água primeira feminina

Margem de uma onda (1997)

• • •


[4]

Ao dobrar uma esquina

a sombra como uma carícia

toma o corpo inteiro e se refina

mais ainda ao toque dos dedos

e lábios do vento


a mente se ergue comovida

diante de um estar a que aspira

mas tão contrário às condições

em que habita


onde ventos se enfrentam de todos

os lados e as sombras

são outras

– que impedem a visão


um desabrigo que nos

impõe a disciplina

de construir

nosso próprio clima

Margem de uma onda (1997)

• • •


[5]

Meridiano

tempestades sem céu

de noites em claro


em que o espírito

rasga a carne

e a memória se contrai

ante um mapa


de linhas equívocas

cujos pontos foram percorridos

ao vivo

entre gestos hipnoticamente acesos


ignorantes

inacessíveis estrelas:

viver também pode

ser longe


acordar é raro

breve


um cochilo, piscar de olhos

por onde irrompe

o entrevisto espanto

do que somos


acordar é um sonho

Margem de uma onda (1997)

Perfil

Duda Machado é o nome com o qual Carlos Eduardo Lima Machado assina os seus livros. Nasceu a 3 de maio de 1944 em Salvador-BA. É graduado em Ciências Sociais pela Universidade Federal da Bahia. Em 1991, concluiu o seu doutorado em Letras pela USP. Incursionou pelo cinema e pela música, sem, contudo, desenvolver carreira artística. No Rio de Janeiro, fundou a revista Polem (1974) e publicou o seu primeiro livro de poemas. Combinando atividades de poeta, ensaísta e tradutor, é professor de teoria literária na Universidade Federal de Ouro Preto. Escreve livros infantojuvenis. Publicou os seguintes livros de poemas:  Zil (1977), Crescente (1990), Margem de uma onda (1997) e Adivinhação da leveza (2011).

Tag's: Duda Machado, literatura, literatura brasileira, poesia, poesia brasileira

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