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Imagem: O piano (Pablo Picasso, 1920, detalhe)
Imagem: O piano (Pablo Picasso, 1920, detalhe)
Imagem: O piano (Pablo Picasso, 1920, detalhe)

Luís Araujo Pereira em Espirais Professor e escritor | Publicado em 26 de janeiro de 2025

Luís Araujo Pereira
Professor e escritor
26/01/2025 em Espirais

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Noite panamenha

Naquela noite, Castillo estava num cassino chamado Dos Corsarios, que ocupava uma grande área no final de um caminho ornamentado de palmeiras. Àquela hora, elas se dobravam de modo preguiçoso à passagem do vento que soprava velozmente, vindo do golfo. Era uma noite graciosa em todo o Panamá, o istmo que une duas Américas.

As pessoas que estavam no recinto sentiam-se felizes e recompensadas, pois logo mais iriam assistir a uma apresentação de Bola de Nieve, o grande cantor de Cuba.

Acompanhado do seu copo de uísque, gozando o frescor da noite e admirando o ambiente com suas mesas de jogo e pessoas sorridentes, entre aromas de charutos, Castillo dizia para si mesmo com excessiva autoconfiança:

“Se a vida é um vazio, ainda bem que temos a bebida para preenchê-lo.”

E riu sozinho com o seu bom humor, porque estava alegre, ansioso pelo show – e esperava Maite, a mulher linda e inteligente de Havana.

Aos poucos, as mesas começaram a ser ocupadas. Era uma noite de casais elegantes que vinham dos bairros mais nobres. A orla, com a sua fileira de luzes brilhantes, acalentava naquele momento os prazeres que só a noite panamenha pode oferecer.

Por causa dos seus encantos naturais e de sua riqueza histórica, Castillo escolhera o Panamá como o país de seu exílio voluntário. Não só por isso, mas também porque estava próximo de sua ilha e de seus camaradas. Depois dos anos difíceis, ele decidira recomeçar a sua vida com Maite em outro país.

O gelo estalando no copo à sua frente, feliz e cheio de esperança, pensou mais uma vez em sua mulher e, agora impaciente, consultou o relógio.

Quando um foco de luz acendeu de repente sobre o piano no palco, que ficava em plano elevado, o mestre de cerimônias anunciou:

“Ahora, señoras y señores, con ustedes, Bola de Nieve!”

Logo depois, sob ovações, um deus negro sentou-se ao piano enquanto as palmas ficaram mais vibrantes. O corpanzil rivalizando com o instrumento, os dedos ágeis, sem economizar gestos performáticos, o cantor iniciou o seu programa com um dedilhado, após o qual exibiu o seu virtuosismo. Em seguida, começou a cantar a canção favorita de Castillo:

“Adiós, felicidad, casi no te conocí,/ pasaste indiferente/ sin pensar em mí sufrir.”

Com voz melancólica, procurava expressar o que havia de mais latino-americano e erótico, triste e alegre no espírito da música popular cubana.

Finalmente, quando a ansiedade obrigava-o a pedir um uísque duplo, Maite surgiu com um belo sorriso – e disse, os lábios quase colados no ouvido de seu marido:

“Eu jamais trocaria esta noite por nenhuma outra, pois Bola de Nieve é a nossa pátria.”

Ele sorriu com o gracejo sério de sua companheira e, depois de beijá-la repetidas vezes, falou – e o que ele disse era uma reverência calorosa:

“Escutemos, pois, a nossa pátria.”

E, naquela noite, desde que começara as suas excursões pelo mundo, Bola de Nieve cantou e cantou e cantou – como nunca cantara antes.

Tag's: conto, literatura, literatura goiana, Luís Araujo Pereira

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