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Ilustração: Guilherme Palacio, 2025
Ilustração: Guilherme Palacio, 2025
Ilustração: Guilherme Palacio, 2025

Janaina Rangel em Projeto Ensaios Pedagoga e graduanda em Ciências Sociais na UFMS. E-mail: janaina.rangel@ufms.br | Publicado em 6 de dezembro de 2025

Janaina Rangel
Pedagoga e graduanda em Ciências Sociais na UFMS. E-mail: janaina.rangel@ufms.br
06/12/2025 em Projeto Ensaios

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Da alienação à ação: a práxis como caminho para a transformação social

[Coautora: Maíra de Souza Borba[1]]

Nas Ciências Humanas, em que o conhecimento se constrói por meio do debate, da escuta e da análise crítica, o diálogo é essencial para garantir respeito, colaboração e valorização das experiências e perspectivas. Dialogar vai muito além de apenas trocar palavras. Envolve escutar com atenção, considerar as ideias do outro e estar disposto a construir e trabalhar em reflexões de forma coletiva. Quando há uma escuta que é real, chegamos a entendimentos que respeitam as visões de mundo distintas.

Contudo, o discurso sobre escuta e colaboração frequentemente esconde práticas autoritárias. Uma experiência acadêmica expôs essa contradição. Em um espaço de troca entre colegas, havíamos construído uma dinâmica de discussão equilibrada e cooperativa. No entanto, uma nova integrante, embora professando o valor do diálogo, tentou impor mudanças ignorando os acordos pré-estabelecidos.

Esse episódio evidenciou como, sobretudo nas Ciências Humanas, é necessária a coerência entre fala e ação, teoria e prática. Devemos praticar a escuta ativa e o compromisso com a construção coletiva do saber. Só assim é possível formar ambientes acadêmicos mais justos, colaborativos e realmente voltados à compreensão do ser humano em suas diferenças.

A desconexão entre discurso e prática remete diretamente ao conceito de alienação, originalmente cunhado por Marx (2004) e ressignificado por Paulo Freire (1987).  Freire compreende a alienação como uma condição em que o sujeito, imerso em relações de opressão, interioriza os valores do opressor e passa a agir segundo uma lógica que o distancia de sua própria autonomia e identidade. Sua solução é a práxis:

[…] o diálogo é uma exigência existencial. E, se ele é o encontro em que se solidariza o refletir e o agir de seus sujeitos endereçados ao mundo a ser transformado e humanizado, não pode reduzir-se a um ato de depositar ideias de um sujeito no outro. (Freire, 1987, p. 45).

Portanto, o episódio que vivenciei revela como a ausência de práxis reforça a alienação. Principalmente na vivência acadêmica, é comum situações em que o diálogo se prolonga, mesmo diante de soluções já construídas. Nesses casos, a insistência em discutir funciona como uma forma de evitar decisões e gerar um ciclo de reflexões que não se concretizam. O diálogo é, sim, fundamental, pois permite escutar, analisar e compreender o outro, mas, quando não vem acompanhado da ação e da prática, corre o risco de levar à paralisação.

Problemas sociais, como a alienação, exigem mais que discurso. A alienação causa a desconexão entre os indivíduos e a realidade social do mundo, impedindo-os de reconhecer-se como agentes históricos e de transformação. Essa alienação se intensifica quando ficamos presos apenas ao campo das ideias, debatendo infinitamente sem aplicar as soluções possíveis. A prática experimental, a intervenção direta e o engajamento concreto são elementos indispensáveis para que essas ciências se tornem, de fato, rigorosas, vivas e transformadoras.

Refletir sobre a realidade é importante, mas é a ação que transforma. Podemos passar horas discutindo as dores e as injustiças enfrentadas por indígenas, negros, mulheres e a população LGBT+. Mas é preciso perguntar: o que fazemos, na prática, para mudar essas realidades? Defender causas em palavras não basta, é preciso mover estruturas, gerar impacto e transformar vidas.

É nesse ponto que entra o conceito de práxis, tão valorizado por autores como Freire. Para ele, a práxis não é apenas a ação isolada, nem tampouco a reflexão desvinculada da realidade, mas a reflexão atuante. Como afirma o autor, “a verdadeira reflexão crítica origina-se e dialetiza-se na interioridade da ‘práxis’ constitutiva do mundo humano” (Freire, 1987, p. 8). A práxis é a combinação entre reflexão e ação. É o processo pelo qual deixamos de ser apenas observadores da realidade e nos tornamos sujeitos ativos, capazes de transformá-la. Quando a educação se torna um espaço de práxis, ela rompe com a alienação e passa a formar pessoas críticas, participativas e comprometidas com mudanças sociais reais.

Assim, defendo que o diálogo deve continuar sendo uma ferramenta fundamental nas Ciências Humanas, mas nunca como um fim em si mesmo. A verdadeira potência do diálogo está em nos conduzir à ação. É através da práxis que conseguimos enfrentar os desafios mais complexos da sociedade e construir um caminho efetivamente transformador. Mais do que analisar os problemas, é preciso se comprometer com a mudança. Talvez o verdadeiro papel das Ciências Humanas não seja apenas entender as dores do mundo, mas também imaginar novas maneiras de viver, mais justas, mais humanas e mais possíveis. Por isso, fica um convite para quem pensa, estuda e ensina: e se o pensamento crítico deixasse de ser apenas explicação e virasse também ação? De quantos diálogos mais precisamos até admitir que pensar sobre o mundo não o transforma? Talvez devêssemos romper com a ilusão de que compreender já é suficiente. O pensamento crítico só cumpre seu papel quando transborda da teoria e se torna prática viva naquilo que deseja transformar. O diálogo continua sendo essencial, mas precisa se abrir para o desconforto da mudança. Pensar é urgente, mas agir é inevitável. Sem esse passo, todo diálogo corre o risco de se tornar apenas mais uma forma de permanecer onde estamos.

Referências

FREIRE, Paulo. Pedagogia do oprimido. 17. ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1987.

MARX, Karl. Manuscritos econômico-filosóficos. São Paulo: Boitempo, 2004

[Revisão de Caroline Guedes e Maria Clara de Freitas Barcelos. Revisão final e edição de Rosângela Chaves]


[1] Professora do curso de Filosofia, do Prof.-Filo e do mestrado acadêmico em Filosofia da UFMS. E-mail: maira.borba@ufms.br

O artigo é o 18° da oitava edição do Projeto Ensaios, um projeto de divulgação filosófica coordenado pelo professor Weiny César Freitas Pinto, do curso de Filosofia da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), em parceria com o site Ermira Cultura, que visa colocar em diálogo a produção acadêmica com a opinião pública por meio da publicação de ensaios. Até o dia 13 de dezembro, sempre aos sábados, serão publicados em Ermira textos de estudantes, pesquisadores e professores de diversos lugares do país, envolvendo diversas áreas do conhecimento, em diálogo com a filosofia. Confira os outros artigos publicados:

  1. Religiões evangélicas, controle social e educação no cárcere , de Karolayne Hanario Rodrigues e Pedro H. C. Silva.
  2. Meandros da antropologia brasileira, de Glícia Aparecida Gomes Souza e Priscila Lini.
  3. Sobre Paul Ricoeur e música , de Caio Cezar Braga Bressan e Wiliam Teixeira.
  4. “O Planeta dos Macacos”: uma reflexão foucaultiana sobre poder e sociedade , de Gabriel Filipe Rosa Alves e Jeferson Camargo Taborda.
  5. A extinção da verdade: inteligência artificial e a morte do real , de Kauê Barbosa de Oliveira Lopes e Weiny César Freitas Pinto.
  6. Notas sobre a psicanálise: quais são o potencial e os possíveis impactos de uma análise no sujeito?, de Khadija de Oliveira Moreira e Caroline S. dos Santos Guedes.
  7. Sísifo escolheu a pedra, de Orivaldo Gonçalves de Mendonça Junior e Antônio Carlos do Nascimento Osório.
  8. O medo da história, de Igor Vitorino da Silva e Ricardo Oliveira da Silva.
  9. Dialética como tensão irresolúvel: reafirmando Heráclito, de Rafael Vieira Régis Damasceno e Rafael Lopes Batista.
  10. Um disfarce para a violência?, de Maria Clara de Freitas Barcelos e Flávio Amorim da Rocha.
  11. Irmãos e rivais: o “duplo” do herói, segundo Otto Rank , de Ana Tércia Rosa Alves e Natasha Garcia Coelho.
  12. Religião e violência: por que a convicção insiste em ser intolerante?, de Pedro H. C. Silva e Weiny César Freitas Pinto.
  13. Você escreve decolonial ou de(s)colonial? Tem diferença?, de Felipe Gabriel de Angelo Batista e Jeferson Camargo Taborda.
  14. À sombra, a sombra e a sobra de Lombroso, de Viviane Burger Balarotti e Weiny César Freitas Pinto.
  15. A questão das “outras mentes” e a ética animal, de Francisco de Paula Santana de Jesus e Jonathan Postaue Marques.
  16. Os desafios da clínica com a geração Z e a busca por soluções rápidas, de Ivanilce Rosa Bezerra e Caroline S. dos Santos Guedes.
  17. Qual a relação entre a lógica causal e o comportamento individual?, de Arthur Zardetti Alves Nogueira e Pedro H. C. Silva

Tag's: ação, educação, Paulo Freire, práxis

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