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Foto: cena do filme Os Miseráveis (2012)
Foto: cena do filme Os Miseráveis (2012)
Foto: cena do filme Os Miseráveis (2012)

Rosângela Chaves em Miradas Jornalista e professora | Publicado em 20 de dezembro de 2017

Rosângela Chaves
Jornalista e professora
20/12/2017 em Miradas

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“Os Miseráveis”, a lei e a justiça

Uma recente reportagem do Le Monde equiparou o gritante quadro de desigualdade social no Brasil ao cenário da França do início do século XIX retratado por Victor Hugo na sua obra-prima Os Miseráveis. De fato, o monumental romance do escritor francês é reconhecido por ter, pela primeira vez na literatura, dado um rosto à miséria. Por meio da história fictícia de Jean Valjean, o protagonista do livro que é condenado a cinco anos de trabalhos forçados porque furtara um pedaço de pão e que acaba amargando quase  duas décadas de cárcere como represália às suas tentativas de fuga, o escritor chama a atenção para o drama da multidão de pessoas que vivia na mais extrema pobreza em toda a França, sob as vistas indiferentes das classes mais abastadas – uma realidade que, infelizmente, é muito próxima à do Brasil do século XXI.

Se Jean Valjean é a face humanizada da miséria, Javert, o inspetor de polícia que vai persegui-lo ao longo da trama, encarna a desumanidade de um código de justiça usado como instrumento para impedir qualquer mudança social. Javert não é apenas um agente da lei. É a sua própria personificação, uma lei dura e implacável, que só oprime aqueles que já são oprimidos.

A oposição que Victor Hugo estabelece entre Jean Valjean e Javert não é, no entanto, tão simplista, um conflito maniqueísta entre o bem e o mal. Javert é um policial honesto, dedicado ao ofício e de rígidos princípios. Seu problema é que, por depositar uma confiança cega na lei e nas instituições encarregadas de aplicá-la, por ser incapaz de questionar o sistema ao qual serve, concebido sob medida para privilegiar aqueles que já são privilegiados, não consegue enxergar a realidade que o cerca.

Javert jamais duvida – até o momento em que os dogmas nos quais ele sempre sustentou sua existência se mostrarem falíveis. É quando ocorrerá a sua perdição.

“Pensar era para ele uma coisa estranha e singularmente dolorosa”, escreve Victor Hugo no romance, como que se deliciando com o conflito desse personagem outrora tão seguro de suas convicções, as quais ficam completamente abaladas no momento em que  é salvo da morte justo por Jean Valjean, o ex-presidiário que se tornara um respeitável homem de negócios e que o vingativo Javert jurara levar de volta para a cadeia. Pensar é doloroso, para Javert, porque o pensamento sempre  envolve uma espécie de rebelião interior (e a palavra “rebelião” soa ameaçadora para alguém tão afeito à ordem e à disciplina), na qual ideias e emoções contraditórias vêm à tona e as nossas certezas mais caras se veem enfraquecidas.

No conflito entre Jean Valjean e Javert, Victor Hugo propõe uma reflexão sobre a justiça, que nem sempre é sinônimo da lei instituída ou do aparato institucional que a representa. E mostra o quanto podemos nos distanciar do que é verdadeiramente justo quando perdemos a capacidade de questionar o mundo em que vivemos.

Tag's: desigualdade social, Justiça, lei, literatura francesa, Os Miseráveis, Victor Hugo

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1 comentários em ““Os Miseráveis”, a lei e a justiça”

  1. Aluno Pedro Ernesto disse:
    21 de junho de 2018 às 16:27

    Uau! Quantas palavras difíceis! Merece meu respeito por escrever algo tão bem. *Palmas

    Responder

Respondendo o comentário de Aluno Pedro Ernesto (cancelar resposta)

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