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Imagem: Paisagem com Touro (Tarsila do Amaral, 1925)
Imagem: Paisagem com Touro (Tarsila do Amaral, 1925)
Imagem: Paisagem com Touro (Tarsila do Amaral, 1925)

Luís Araujo Pereira em Espirais Professor e escritor | Publicado em 30 de março de 2018

Luís Araujo Pereira
Professor e escritor
30/03/2018 em Espirais

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Ao Cronista

Eis algo que fiz com bastante gosto e alegria: comprei uma muda de fruta-pão. Confesso que fiquei tentado a adquiri-la na hora em que o vendedor mostrou-me a plantinha dentro de um saco de plástico, já crescidinha, com uns 30 centímetros e folhas lobadas. Após admirar a sua delicadeza, decidi comprá-la imediatamente, já pensando em encontrar um lugar bem aberto e arejado, não tão distante da casa, onde pudesse plantá-la e vê-la crescer dolentemente. E um dia, quem sabe, sentado na varanda, talvez pudesse informar com orgulho a uma visita querida:

“Tá vendo aquela árvore que cresce logo ali? É uma fruta-pão. Foi por causa do escritor Rubem Braga que a plantei.”

E estaria dizendo, é claro, a mais pura verdade. A árvore é uma homenagem ao escritor capixaba. Em algumas de suas crônicas, deparei-me,  pela primeira vez,  com o nome dessa planta, à qual se refere carinhosamente em reminiscências bem-humoradas de sua infância em Cachoeiro de Itapemerim.

Para ele, a fruta-pão era uma espécie de árvore sagrada que, ao lado da casa, protegia a família. Foi em sua sombra que Zig, o cachorro que tinha uma personalidade sui generis, encontrou o seu último repouso. Em outra crônica, disse ainda que o fruto que ela produz era assado com manteiga e fumegava brandamente no café da tarde.

Que assim seja, pois lá estava a fruta-pão, ainda em tenra idade, fincada na melhor parte do terreno, tendo como vizinhos pés de jambo, de cravo-da-índia, de graviola, de pitanga e de uma já velhusca mangueira, além de outras espécies mais esparsas.

Esse simples gesto obrigou-me a refletir que eu plantei em toda a minha vida muitas porém insuficientes árvores, o que não me torna um militante ambientalista, mas me faz pelo menos ser um povoador de verde no meu quintal, que é, além dos pássaros, habitado por duas almas e Tom-tom, o gato bacana da casa.

Sei também que nunca é tarde para reparar esse descuido, uma vez que abrir covas e colocar dentro as mais variadas mudas de espécies frutíferas e ornamentais não exige muito esforço. O ser humano gosta da beleza, e há muito chão e viventes neste mundo que imploram por uma árvore, uma sombra e um fruto. Num país de desmatamentos, plantar árvores deveria ser uma regra moral de cada cidadão.

Como nunca vi uma fruta-pão em seu esplendor de árvore, andei investigando por aí e descobri que é nativa da Ásia, pode atingir até 15 metros e tem muitas serventias. É, portanto, uma árvore pra ninguém botar defeito. Só não descobri quantos anos são necessários para ela atingir a altura prevista; mas isso pouco importa, desde que cresça em direção às nuvens  ̶  e os seus frutos, que têm consistência e sabor semelhantes aos do pão fresco, sejam saborosos e ofertados aos amigos numa tarde afável de verão.

Dentro de alguns anos, essa morácea (este é o nome da família a qual pertence) tornar-se-á a árvore que hoje promete ser. Uma senhora árvore. E talvez eu escreva nessa ocasião, sem apelo à pieguice e aos lugares-comuns, um pequeno livro infantojuvenil narrando, se eu der conta da tarefa, como uma árvore num ambiente implausível pode atingir um metro.

       ***

Tudo o que escrevi até agora foi um prólogo que não oferecerá bom termo: esqueçam, pois, as palavras gentis que escrevi sobre a plantinha e desconsiderem ainda tudo o que disse sobre as minhas expectativas a respeito de seu futuro.

Numa das visitas que fazia regulamente ao quintal, notei que as suas folhas começaram de repente a amarelar e a se enrijecer. E assim progrediu esse sintoma, a ponto de atingir por fim todas as folhas que estavam saudáveis, até propiciar o seu definhamento definitivo.

Não sei se pelo clima, pelo terreno ou pelo regime das chuvas ou se por todos estes fatores associados, mas de uma coisa sei: ela estava fora do seu hábitat. Não digo que o meu coração se partiu  ̶  digo apenas que fiquei decepcionado com a minha ignorância: uma árvore só lança copas para o alto se viver confortavelmente em seu terreno específico, que lhe forneça todos os elementos de que necessita.

Infelizmente, não vou assistir à famosa fruta-pão crescer diante da varanda. E transformo o meu desvelo como homenagem ao Cronista, um apreciador dessa morácea, pela qual tinha imensa simpatia, árvore de sua devoção. E, no seu lugar, para preencher o vazio, plantei uma muda de pau-brasil que segue vigorosamente, dia após dia, em busca de seus milhares de anos.

Tag's: Cerrado, crônica, fruta-pão, literatura brasileira, natureza, Rubem Braga

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1 comentários em “Ao Cronista”

  1. ilza silveira disse:
    16 de abril de 2018 às 17:49

    Linda crônica Luis Araújo, como todas as outras que escreve e que sempre me levam a belas e deliciosas viagens. Imagino ser maravilhoso acompanhar o crescimento de um Pau Brasil, que deve ter uma cara bem robusta, né? Será que ele não gostaria de ter por companhia uma mudinha de pequi?

    Responder

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