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Imagem: Alegoria da poesia (Tommaso Maria Conca, sec. XIX)
Imagem: Alegoria da poesia (Tommaso Maria Conca, sec. XIX)
Imagem: Alegoria da poesia (Tommaso Maria Conca, sec. XIX)

Paulo Manoel Ramos Pereira em Veredas Poeta e tradutor | Publicado em 4 de maio de 2025

Paulo Manoel Ramos Pereira
Poeta e tradutor
04/05/2025 em Veredas

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Consideração sobre uma antologia da poesia ocidental

Muitos atalhos: uma antologia da poesia ocidental (Mondru, 2025) é um lançamento auspicioso porque permite atestar e admirar, a conta-gotas, o trabalho de um antologista e tradutor hábil e curioso. É que Matheus de Souza brinda o leitor exigente com um apanhado amplo e afetivo, conferindo som particular a alguns dos textos mais brilhantes de todos os tempos.

É fácil supor a tarefa do acumulador de selos, moedas, rótulos de vinhos, camisas de clubes de futebol e, por diante, dos mais diversos itens do colecionismo usual. Mais complexo será, contudo, explicar a atividade do colecionador de poemas, isto é, a do organizador de antologias. Eucanaã Ferraz, ao apresentar a antologia que elaborou sobre a obra de Sophia de Mello Breyner Andresen, diz que “a ‘eleição’ é um exercício conhecido de todo aquele que já tenha lido um livro de poemas. Não importa se começou a fazê-lo pelo meio, avançando aos saltos, ou se obedeceu à ordem proposta página a página: ele foi apanhado pela predileção”. Foi determinação dele “encontrar os poemas que não cessavam de me surpreender”, “agrupando o que me deslumbrava, o que me levava ‘para dentro’, o que me espantava. No caso da poesia de Sophia de Mello Breyner Andresen não é menos que isto: espanto”.

Não à toa, Walter Benjamin, em Desempacotando minha biblioteca, diz que “toda paixão confina com um caos, mas a de colecionar com o das lembranças. Assim, a existência do colecionador é uma tensão dialética entre os polos da ordem e da desordem”. A eleição passional do antologista, portanto, limita com o caótico, já que pinça excertos de seus ordenamentos naturais para inseri-los no elenco artificial das predileções. Souza, ao inaugurar Muitos atalhos, confessa que fazem parte do livro “textos que guardei como palavras amigas, que me ensinaram muito sobre o que é traduzir e sobre como a poesia funciona, mas também sobre o que é o amor, o riso, o desespero, o transe de uma visão profética. Posso contar histórias sobre como esses textos foram escritos, mas também posso, a partir deles, contar histórias sobre mim”. E nem por isso tornou obscura sua ordem, cronológica e contextualizada por notas à testa de cada seção, seja referentes a um período histórico-literário, seja a um autor específico. O texto de apresentação, ademais, é interessante consideração sobre tradução literária na era da informação.

Como assevera o autor, traduzir é convencer, e a motivação final é estender a sensação de encanto que o original oferece. Matheus de Souza, passando pelos idiomas grego, latim, provençal, italiano, inglês e francês, dá mostra não apenas de erudição e técnica, mas de apuradas sensibilidade e ousadia. Basta ver a substituição, em um epigrama homoerótico de Marcial, do nome do amante “Diadumenus” por “Diadorim”. Nesse sentido, a edição bilíngue auxilia o melhor cotejo.

Certa vez, o fascinante Robert Frost sentenciou que “poesia é o que se perde na tradução”. Conforme relatado noutra ocasião em Ermira, a resposta à altura ficou por conta de Manuel Bandeira, cuja visão ecumênica de literatura também informa a obra em análise.

Em Muitos atalhos figuram 125 poemas assinados por 45 poetas, em ordem de aparição, Homero, Álcman de Sárdis, Arquíloco de Paros, Safo de Lesbos, Íbico de Régio, Anacreonte, Lucrécio, Catulo, Virgílio, Horácio, Tibulo e Sulpícia, Propércio, Ovídio, Lucano, Marcial, Estácio, Fedro, Ausônio, Ezra Pound, Dante Alighieri, Shakespeare, Thomas Campion, John Donne, Andrew Marvell, John Milton, Jean Racine, Alexander Pope, Marquesa de Boufflers, William Blake, William Wordsworth, Samuel Taylor Coleridge, Lord Byron, Percy Bysshe Shelley, John Keats, Edgar Allan Poe, Victor Hugo, Henry Wadsworth Longfellow, Elizabeth Barret Browning, Robert Browning, Edward Fitzgerald, Charles Baudelaire, Matthew Arnold, Emily Dickinson, William Ernest Henley e William Butler Yeats.

Louvável haver, em Goiás, um jovem tradutor tão capacitado e uma editora para publicá-lo. Cumpre anotar, ainda, que ele traduziu O eunuco, de Terêncio (Kotter, 2022), e tem expressiva carreira de crítico literário on-line. No blog Formas Fixas, o aficionado por poesia pode encontrar, entre outros, o texto “Manualzinho de versificação”, que vale a leitura.

Ficha técnica

Livro: Muitos atalhos: uma antologia da poesia ocidental

Autor: Matheus de Souza (trad.)

Editora: Mondru

Páginas: 232

Preço: R$ 79,90

Mais informações: https://mondru.com/produto/muitos-atalhos-uma-antologia-da-poesia-ocidental/

Tag's: Antologia, Matheus de Souza, Mondru, poesia

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