• Sobre Ermira
  • Colunas
    • Aboios
    • Arlequim
    • Arranca-toco
    • Chapadão
    • Chispas
    • Dedo de prosa
    • Errâncias
    • Especial
    • Espirais
    • Florações
    • Margem
    • Maria faz angu
    • Matutações
    • Miradas
    • Mulherzinhas
    • Projeto Ensaios
    • NoNaDa
    • Pomar
    • Rupestre
    • Tabelinha
    • Terra do sol
    • Veredas
  • Contribua
  • Colunistas
  • Contato
  • Instagram
  • Facebook
  • YouTube
  • Twitter

ERMIRA

  • Instagram
  • Facebook
  • YouTube
  • Twitter
  • Sobre Ermira
  • Colunas
    • Aboios
    • Arlequim
    • Arranca-toco
    • Chapadão
    • Chispas
    • Dedo de prosa
    • Errâncias
    • Especial
    • Espirais
    • Florações
    • Margem
    • Maria faz angu
    • Matutações
    • Miradas
    • Mulherzinhas
    • Projeto Ensaios
    • NoNaDa
    • Pomar
    • Rupestre
    • Tabelinha
    • Terra do sol
    • Veredas
  • Contribua
  • Colunistas
  • Contato
Foto: Divulgação
Foto: Divulgação
Foto: Divulgação

Luís Araujo Pereira em Florações Professor e escritor | Publicado em 19 de março de 2023

Luís Araujo Pereira
Professor e escritor
19/03/2023 em Florações

  • Compartilhar no Twitter
  • Compartilhar no Facebook
  • Compartilhar no Google +
  • Compartilhar no WhatsApp
← Voltar

Cinco poemas de Abel Silva

[Curadoria de Luís Araujo Pereira]

[1]

A voz e o verso

A solidão da voz

É a sós

que o cantor

burila a voz.


Solidão do poeta

Quando você me encontrar

sozinho

saiba que estou

em boa companhia.


Crítica

Você me dá bola preta

eu esqueço

você dá o que tem

não o que mereço.


Mais crítica

O rancor pesa…

que bobagem

carregar pedra

na bagagem.


Relações

O canto está para a fala

como a dança

para o andar.


Palco

No palco

tudo é exposto:

a alma

a voz

o rosto.


Público

A multidão

é cada pessoa só

e ela liberta o aplauso

ou aperta

o nó.


Cantar

Se você quer saber,

cantar é mais que se exprimir

é se espremer.


O verso

Não tenho

que explicar nada.

Ou você sabe

e não precisaria

ou não sabe

e não adiantaria.


A voz

Sou feliz:

eu canto

o que o poeta

diz.

Só uma palavra me devora (2000)

• • •


[2]

Louça fina

Todo amor carrega

O medo de quebrar

Como uma louça fina

No mármore do olhar


E faz quem ama ser

Um gesto incompleto

Que inquietamente paira

Entre o chão e o teto


Por isso é melhor

Deixar o amor correr

Em paz dentro de nós

Como se fosse rio


Tocar em nossos olhos

Com seus dedos de brilho

E nos fazer queimar

Ou tiritar de frio.

Só uma palavra me devora (2000)

•••


[3]

Jura secreta

Só uma coisa me entristece

o beijo de amor que não roubei

a jura secreta que não fiz

a briga de amor que não causei.


Nada do que posso me alucina

tanto quanto o que não fiz

nada do que quero me suprime

do que por não saber inda não quis.


Só uma palavra me devora

aquela que meu coração não diz

só o que me cega, o que me faz infeliz

é o brilho do olhar que não sofri.

Só uma palavra me devora (2000)

• • •


[4]

Brisa do mar

Brisa do mar

confidente do meu coração

me sinto capaz

de uma nova ilusão.


Que também passará

como ondas na beira do cais

juras, promessas, canções

mas por onde andarás?


Pra ser feliz, não há uma lei

não há porém sempre é bom

viver a vida atento ao que diz

no fundo do peito o seu coração.


E também entender

os segredos que ele ensinar

segredos sutis

como a brisa do mar.

Só uma palavra me devora (2000)

• • •


[5]

As rosas têm pressa

As rosas têm pressa

querem explodir

pois é breve

a glória da flor.


O colibri também sabe

que começa a minar

de leve,

no fundo do cálice perfumado,

o néctar de seus dias.


Se as plantas, os bichos,

os ventos, as águas,

se tudo sabe,

por que em meu peito

ainda cabe

o agasalho

da melancolia?


Se já tenho as milhagens

da fria viagem,

se já é setembro no Rio

enfim, caralho!


Por que o inverno

insiste em mim

com seus dedos crispados

de arrepios?

O gosto dos dias (2014)

Perfil

Abel Ferreira da Silva nasceu em Cabo Frio (RJ) no dia 28 de fevereiro de 1945. É romancista, contista, poeta e letrista. Em 1969, formou-se em Letras na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), onde mais tarde tornar-se-ia professor de Literatura Brasileira. Na década de 1970, deu aulas na PUC-Rio. No jornal Opinião, foi editor de cultura. Em 1985, integrou a diretoria da União Brasileira de Compositores (UBC). Fez parte do conselho editorial da revista Pauta, editada pela mesma entidade. Publicou os seguintes livros: O afogado (romance, 1971), Açougue das almas (contos, 1974), Asas (poemas, 1975), Mundo delirante (poemas, 1990), Só uma palavra me devora (poemas reunidos e inéditos, 2000), Berro em surdina (poemas, 2005), O gosto dos dias (poemas, 2014), Fôlego (poemas, 2018), PoemAteu (poemas, 2021), O caderno vermelho da manhã (poemas, 2021), entre outros títulos. Sua notoriedade destaca-se, entretanto, como letrista, cuja parceria musical inclui nomes como Sueli Costa, João Bosco, Roberto Menescal, João do Vale, Moraes Moreira, João Donato, Fagner, Dominguinhos e outros compositores.

Tag's: Abel Silva, literatura, poesia, poesia brasileira

  • Rato na gaiola

    por Luís Araujo Pereira em Espirais

  • Do outro lado do rio

    por Rosângela Chaves em Dedo de prosa

  • A sensibilidade autobiográfica de Jheferson Rosa

    por Paulo Manoel Ramos Pereira em Veredas

  • Compartilhar no Twitter
  • Compartilhar no Facebook
  • Compartilhar no Google +
  • Compartilhar no WhatsApp

Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site.

Deixe um comentário (cancelar resposta)

O seu endereço de e-mail não será publicado. Todos os campos são de preenchimento obrigatório.

ERMIRA
  • Instagram
  • Facebook
  • YouTube
  • Twitter