• Sobre Ermira
  • Colunas
    • Aboios
    • Arlequim
    • Arranca-toco
    • Chapadão
    • Chispas
    • Dedo de prosa
    • Errâncias
    • Especial
    • Espirais
    • Florações
    • Margem
    • Maria faz angu
    • Matutações
    • Miradas
    • Mulherzinhas
    • Projeto Ensaios
    • NoNaDa
    • Pomar
    • Rupestre
    • Tabelinha
    • Terra do sol
    • Veredas
  • Contribua
  • Colunistas
  • Contato
  • Instagram
  • Facebook
  • YouTube
  • Twitter

ERMIRA

  • Instagram
  • Facebook
  • YouTube
  • Twitter
  • Sobre Ermira
  • Colunas
    • Aboios
    • Arlequim
    • Arranca-toco
    • Chapadão
    • Chispas
    • Dedo de prosa
    • Errâncias
    • Especial
    • Espirais
    • Florações
    • Margem
    • Maria faz angu
    • Matutações
    • Miradas
    • Mulherzinhas
    • Projeto Ensaios
    • NoNaDa
    • Pomar
    • Rupestre
    • Tabelinha
    • Terra do sol
    • Veredas
  • Contribua
  • Colunistas
  • Contato
Foto: Acervo pessoal
Foto: Acervo pessoal
Foto: Acervo pessoal

Luís Araujo Pereira em Florações Professor e escritor | Publicado em 21 de abril de 2024

Luís Araujo Pereira
Professor e escritor
21/04/2024 em Florações

  • Compartilhar no Twitter
  • Compartilhar no Facebook
  • Compartilhar no Google +
  • Compartilhar no WhatsApp
← Voltar

Cinco poemas inéditos de Patricia Peterle

[Curadoria de Luís Araujo Pereira]

[1]

Inesperado da carpintaria

objetos banais

descartáveis objetos se tornam

acúmulos cotidianos

o dia a dia visto pela obsessão do avesso

metal plástico madeira

resíduos em aparições

registros de sonhos

objetos saindo de suas aparentes banalidades

compondo na partilha outras formas

variações seriais

a série verdadeira é labiríntica

Bispo das coleções

na busca pelo ponto aurático

o solo comum

proteção e piedade

são nos fios do manto

vazão das formas

metonímias da sobrevivência

 (Série Recortes)

• • •

[2]

Mamífero humano

“os homens são tão necessariamente loucos que seria enlouquecer por uma outra forma de loucura não ser louco”

Pascal

Por que ainda observo as formas ao redor

Por que ainda me sinto deslocado

Por que ainda carrego conflitos que não sei

Por que ainda me sinto nu diante do espelho

Por que ainda pensamentos me atravessam

Por que vivo sob rajadas de mal-entendidos

Por que ainda me sinto consumido pelos outros

Por que me sinto num estado aturdido

Por que ainda falo numa língua que não sei?

Sou apenas um mamífero humano

(Série Recortes)

• • •

[3]

Na dicção dos objetos

O uivo do vento na praia lá fora.

Na sala perto do sofá

os rochedos acometidos pelas ondas.


No quarto entra pela abertura

a luz na sua imobilidade.

A cadeira no mesmo lugar

dá costas guarda seu cheiro

e no corredor o ritmo lento

dos passos


É do chão e dos tijolos

que os sons se levantam

enquanto as panelas no armário

imploram pela chama do fogão


Busque entre as coisas que você ama

qual morrerá primeiro.

Não há pressa nessa língua que

confunde a dicção dos objetos

(Série Recortes)

• • •

[4]

Sem saber

                                        no vapor com Bill Viola

Onde quer que esteja

aqui ou em qualquer lugar

disfarço o sentimento de

não ser daqui.

Carne descarnada

capta sons ruídos zunidos

prova o que é reservado

às ondas

converte essa escuta

num registro impossível e a leva

para lá

                                            onde

o som encontra seus silêncios

água e folhas de eucalipto

passados no agora

sopros invisíveis do vapor

(Série Recortes)

• • •

[5]

Meu século, minha besta,

não há fuga

Quem poderá mergulhar em teus olhos?

nem evasão no sonho nem o canto das sereias

para ouvir o sopro de um dia

novo no deserto


Não temer as portas

(o jardim é inacessível)

ouço o sussurro de uma folha caída

na sílaba retorcida o timbre

do breu te vejo.

(Série Recortes)

Patricia Peterle nasceu em São Paulo, cresceu no Rio de Janeiro e mora em Florianópolis. É crítica literária, tradutora e professora de literatura italiana da Universidade Federal de Santa Catarina e poeta. Traduziu vários autores italianos: Giovanni Pascoli, Giorgio Caproni, Enrico Testa, Eugenio De Signoribus, Maria Grazia Calandrone, Andrea Zanzotto, Giorgio Agamben, Roberto Esposito, Franco Rella. Escreveu e organizou diversos ensaios publicados no Brasil e na Itália. Seu livro mais recente é À escuta da poesia, que saiu em 2023 pela Relicário. Outros livros são: No limite da palavra: percursos pela poesia italiana (2015); Vozes: cinco décadas de poesia italiana (2018); A palavra esgarçada: poesia e pensamento em Giorgio Caproni (2018). Seus poemas foram publicados nas revistas Acrobatas, Mallamargens, Ruído Manifesto, na galego-portuguesa Palavra Comum e na revista italiana Smerilliana. Publicou em 2024 Perdi meu peão, mas aceito jogar, pela editora Quelônio, e está previsto ainda para este ano Quando a língua bate, pela 7Letras.

 

Tag's: literatura, literatura brasileira, Patricia Peterle, poesia, poesia brasileira

  • Rato na gaiola

    por Luís Araujo Pereira em Espirais

  • Do outro lado do rio

    por Rosângela Chaves em Dedo de prosa

  • A sensibilidade autobiográfica de Jheferson Rosa

    por Paulo Manoel Ramos Pereira em Veredas

  • Compartilhar no Twitter
  • Compartilhar no Facebook
  • Compartilhar no Google +
  • Compartilhar no WhatsApp

Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site.

Deixe um comentário (cancelar resposta)

O seu endereço de e-mail não será publicado. Todos os campos são de preenchimento obrigatório.

ERMIRA
  • Instagram
  • Facebook
  • YouTube
  • Twitter